Não é o ano novo.
É a semente do ano inteiro.
Esta página reúne os segredos que Billy Phillips abriu sobre Rosh Hashaná. Ele estuda com o Rav Berg e Karen Berg desde 1989, e o que ele apresenta desmonta praticamente tudo o que se costuma dizer a respeito deste dia.
Duas ideias precisam cair antes de qualquer outra coisa. A primeira é que Rosh Hashaná seja o ano novo. Ele acontece no sétimo mês do calendário hebraico, e portanto não inaugura ano algum.
A segunda é mais séria: a de que exista um tribunal celestial onde o Criador decide quem será perdoado e quem será punido. A Kabbalah ensina que a Força que chamamos de Criador não preside corte nenhuma.
E há um terceiro ponto que Billy Phillips insiste em repetir, porque séculos de hábito o encobriram: esta não é uma tecnologia exclusiva de um povo. O Rav Berg passou décadas martelando isso. É universal, e foi criada para beneficiar toda a humanidade.
Rosh Hashaná está construído sobre uma única lei, e é a mesma que a física conhece: para cada ação existe uma reação. Para cada causa, um efeito. Nada além disso, e isso já é muito.
Cada palavra que dizemos, cada ação que praticamos, é um bumerangue lançado ao cosmos. E em Rosh Hashaná todos eles retornam ao mesmo tempo, os positivos e também os negativos.
Repare no alcance: o retorno acontece com toda a humanidade neste período, percebam as pessoas ou não, acreditem elas ou não.
Esta é talvez a maior confusão de todas. Existe uma só Força, uma só fonte de energia para o cosmos inteiro, do mesmo modo que existe uma só corrente elétrica atravessando a sua casa neste instante. Essa Força é apenas boa, positiva, infinitamente compassiva.
A eletricidade enriquece a sua vida e alimenta tudo o que você liga na tomada. E se você enfia o dedo no soquete, ela também pode matá-lo. A natureza da eletricidade não mudou em nenhum dos dois casos. Seria absurdo dizer que a eletricidade o puniu.
Do mesmo modo, a Luz do Criador nunca nos pune. Somos nós que escolhemos colocar o dedo na tomada, sabendo ou sem saber.
A atividade negativa aparece em escalas grandes e pequenas, e as pequenas são as que nos escapam. Billy Phillips revisita três delas.
Assassinato. Podemos matar alguém fisicamente, e também emocional ou espiritualmente. Podemos assassinar um corpo, e também uma reputação. A Kabbalah ensina que derramar sangue não se limita à violência física: inclui a vergonha e o constrangimento que causamos, quando o sangue sobe ao rosto de alguém que humilhamos por causa da nossa própria insegurança.
Fala maldosa. Qualquer forma de fofoca, mesmo sobre alguém que jamais conhecemos, está entre as coisas mais graves que se pode fazer. Ao falar mal de outros, danificamos a vida deles, a nossa, e o mundo inteiro. Karen Berg resume melhor do que ninguém:
Adultério. Não se limita a casos extraconjugais. Cobiçar o negócio de outra pessoa, os filhos dela, os bens dela, é a mesma raiz. A inveja aparece quando deixamos de apreciar tudo aquilo que já temos.
Aqui está a passagem que causa espanto, porque foi escrita há dois mil anos. O Zohar ensina que as nossas emoções reativas, sobretudo a raiva, a intolerância e a impaciência, se manifestam no fígado.
E o Zohar continua, dizendo que essa bílis domina as artérias do coração e todas as artérias dos membros do corpo.
Agora repare no detalhe. É o fígado que secreta a bílis. E o componente principal da bílis é o colesterol. A ciência médica só descobriu nas últimas décadas que o colesterol alto endurece e bloqueia as artérias, e que isso é uma das causas mais frequentes de doença cardíaca.
O Zohar já dizia, dois milênios antes, que a raiva e o comportamento egocêntrico vão direto ao fígado, que então produz aquilo que domina as artérias do coração.
A ideia se estende muito além do corpo. Endurecimento das artérias significa, no fundo, bloqueios que impedem algo de fluir. E isso acontece em todos os territórios da vida.
Um casamento é uma artéria. Quando ela entope, o amor e a paixão param de circular entre duas pessoas, e aquilo é um infarto conjugal. Uma amizade é uma artéria. Os nossos negócios também: o dinheiro que chega até nós viaja por elas, e quando estão obstruídas a prosperidade não passa.
Billy Phillips faz uma observação desconfortável e honesta: quem trapaceia nos negócios pode muito bem ver esses bloqueios terminarem nas artérias físicas do próprio corpo. Prospera-se pela via torta, e paga-se com uma ponte de safena.
Entre pessoas, entre sócios, entre irmãos, entre pais e filhos, entre uma nação e outra: tudo são artérias metafísicas, e todas entopem quando agimos com intolerância.
Quase todo mundo associa o toque do shofar a uma tradição, a um ato cerimonial de comemoração. Billy Phillips é categórico: nada poderia estar mais distante da verdade. Os kabalistas antigos não se interessavam por símbolos nem por rituais cegos. Eram tecnólogos.
A imagem que ele usa vem da defesa antimísseis. Os julgamentos que voltam são como mísseis que buscam calor e encontram o seu alvo. E os alvos somos nós, ou mais precisamente os bloqueios que instalamos em nós ao longo do ano.
O shofar não derruba os mísseis. Ele faz melhor: remove os próprios alvos. O som funciona como um laser espiritual, um ultrassom que dissolve os bloqueios, do mesmo modo que um ultrassom dissolve uma pedra no rim. Sem alvo, os mísseis passam por cima e seguem adiante.
A outra imagem é a de um tribunal onde o promotor tem todas as provas contra você, e onde o som do shofar destrói cada uma delas. Caso encerrado.
E há uma razão técnica para o shofar funcionar assim, guardada no formato do instrumento e no código de duas letras hebraicas. Esse é o segredo mais profundo de todos, e ele pertence a Yom Kipur.
Aqui está a chave que reorganiza tudo. Rosh significa cabeça. Rosh Hashaná não é o ano novo: é a cabeça do ano, a semente.
Assim como a semente de uma maçã gera uma macieira, uma semente negativa gera um ano negativo, e uma semente positiva gera um ano positivo. E assim como a cabeça governa o corpo inteiro, este dia governa os doze meses inteiros. Quanto mais trabalhamos para remover os nossos traços negativos, mais energia positiva injetamos naquela semente.
O shofar confirma o código. Ele é um chifre de carneiro, retirado da cabeça do animal. E o carneiro é o signo de Áries, o mês hebraico de Nissan, que é o verdadeiro ano novo. Ou seja: conectamos ao ano novo, sim, mas no nível da semente.
E há um detalhe final que fecha o círculo. A data do primeiro de Tishrei está codificada na primeira palavra da Torah, Beresheet. Rearranjadas, as suas letras formam a expressão "primeiro de Tishrei".
Se este dia é a semente de tudo o que vem, que qualidade de semente eu estou plantando agora?
As mesmas seis letras, rearranjadas
A primeira palavra da Torah é בראשית, Beresheet, "no princípio". Rearranjadas, as suas seis letras formam א׳ בתשרי, "primeiro de Tishrei", que é exatamente a data de Rosh Hashaná.
Não é um jogo de palavras. É a confirmação de que este dia foi codificado na abertura da Criação. A cabeça do ano estava escrita antes de qualquer outra coisa. O segredo é apresentado por Billy Phillips ao final da primeira parte do seu texto sobre Rosh Hashaná.
Fonte: Billy Phillips, "Secrets of Rosh Hashanah" e "Rosh Hashanah Deeper Secrets", em kabbalahstudent.com. Síntese e adaptação por Thiago Moshe · Insights Kabalísticos.
Billy Phillips estuda com o Rav Berg e Karen Berg desde 1989. As citações do Zohar (vol. 20 e vol. IV) e a frase de Karen Berg aparecem nos textos originais. As demais passagens são paráfrases, e não transcrições literais.
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