O segredo mais profundo está guardado
num número: 364
Existe um dia no calendário inteiro em que a força que nos persegue nos outros trezentos e sessenta e quatro simplesmente não tem lugar. Esta página reúne os segredos mais profundos que Billy Phillips abriu a respeito dele.
o valor de השטן · um a menos que os dias do ano
O ano solar tem trezentos e sessenta e cinco dias. E o valor numérico da expressão o Oponente, השטן, é trezentos e sessenta e quatro.
Falta exatamente um. Não é coincidência nem curiosidade aritmética: é a estrutura. Existe um único dia do ano sobre o qual essa força não tem qualquer jurisdição, e esse dia é Yom Kipur.
Repare no que isso muda na forma de atravessar a data. Não se trata de um dia de penitência em que suportamos alguma coisa. É o único dia do calendário em que o adversário está fora de campo.
O Zohar ensina que o corpo humano espelha as dez Sefirot, que são as dez dimensões que compõem a realidade. O nosso mundo físico corresponde a apenas um por cento do que existe. Os outros noventa e nove por cento são a fonte invisível de toda alegria, sabedoria, cura e prosperidade.
Cada parte do corpo corresponde a uma dessas dimensões. E duas em particular contam a história de hoje.
O esôfago corresponde a Malchut, o mundo físico, porque é por ele que descem a comida e a bebida, que são a nossa fonte material de sustento. A traqueia corresponde a Binah, e o motivo é preciso: por ela não passa alimento algum, apenas ar.
Binah é uma dimensão tão cheia de Luz e de energia que ali não existe nenhuma necessidade de comida ou bebida para obter prazer ou nutrição. A Luz de Binah oferece muito mais do que a mente humana consegue conceber.
Quando Moshe esteve no Sinai, ele alcançou o nível de Binah, e foi dali que veio a energia que irradiava das Tábuas.
Guarde esta ligação, porque ela explica o dia inteiro: onde há Binah, não é preciso comer para ser preenchido.
Agora o jejum deixa de ser privação e passa a ser endereço.
Em Yom Kipur não comemos e não bebemos precisamente para sinalizar a dimensão de Binah e a nutrição espiritual inimaginável que ela oferece. Não é sofrimento oferecido em troca de perdão. É a nossa fisiologia inteira apontando para o lugar onde o alimento é dispensável.
Por vinte e quatro horas o corpo funciona como a traqueia: só passa ar. E é por isso que a Luz infinita encontra passagem.
Aqui está o mecanismo das letras, e ele é de uma elegância desconcertante.
Esôfago, em hebraico, escreve-se ושט: Vav, Shin, Tet. O Zohar explica que quando somos autoindulgentes, quando o ego e os desejos egoístas crescem, a letra ו Vav também cresce e se alonga até virar נ Nun. Vav é, no fundo, um Nun encurtado.
E quando o Vav vira Nun, as mesmas três letras se rearranjam e passam a soletrar שטן. Aquilo que era o nosso órgão do mundo físico passa a ser o nome do Oponente, e ele então domina todos os membros e todas as artérias pelos trezentos e sessenta e cinco dias.
Se o crescimento do ego alongou a letra, a redução do ego a encurta. É literalmente assim que o Zohar descreve a saída.
Do mesmo modo que reduzimos o desejo de consumir comida e bebida em Yom Kipur, e que reduzimos o ego em Rosh Hashaná, a letra נ Nun se reduz e reverte a ו Vav. As letras voltam a soletrar esôfago.
Não é uma metáfora sobre sentir-se melhor. É uma extração.
Rosh Hashaná e Yom Kipur são um só movimento, e a peça que os une é a forma de um tubo.
A traqueia é um tubo por onde só passa ar. O shofar é um tubo musical por onde só passa ar. E é exatamente por isso que, do mesmo modo que a traqueia nos liga a Binah, o shofar nos liga a Binah quando é tocado.
Billy Phillips chama atenção ainda para a semelhança visual entre a letra ו Vav, o shofar e a traqueia humana. A mesma forma se repete nos três, e a repetição não é decorativa.
Tocar o shofar em Rosh Hashaná e fazer a conexão de Yom Kipur são, juntos, o restabelecimento da nossa ligação com Binah.
Esta é a frase que Billy Phillips repete e que resume o conjunto: é tudo tecnologia, e não tradição.
Ao longo do ano reagimos. Fomos rudes, com raiva, com medo, impacientes. Cada uma dessas reações criou um bloqueio, e esses bloqueios entopem as artérias do corpo, das relações e do mundo.
O toque do shofar somado ao remorso verdadeiro, e à admissão honesta do nosso próprio comportamento egocêntrico, limpa esses bloqueios. Conectamos ao território de Binah, que envia uma onda de energia purificadora, e a escuridão é dissolvida.
E então entramos no ano com as artérias abertas.
A letra נ Nun encolhe e volta a ser ו Vav
As mesmas três letras, em duas configurações. O que decide qual delas está no comando é o tamanho do nosso ego. Em Yom Kipur reduzimos o desejo de consumir, o Nun encolhe, e as letras voltam ao lugar.
Se hoje nada me acusa, e se a força que me persegue está fora de campo, o que eu escolho fazer com um dia inteiro de liberdade?
Fonte: Billy Phillips, "Rosh Hashanah Deeper Secrets", em kabbalahstudent.com. O segredo de Yom Kipur aparece na parte final desse texto. Síntese e adaptação por Thiago Moshe · Insights Kabalísticos.
Billy Phillips estuda com o Rav Berg e Karen Berg desde 1989. As correspondências do esôfago e da traqueia com Malchut e Binah, e o mecanismo das letras Vav e Nun, são apresentados por ele a partir do Zohar. As passagens aqui são paráfrases, e não transcrições literais.
Comentários
Compartilhe o que este estudo despertou em você. Se algo não ficou claro, deixe a sua pergunta.
Carregando...