חַיִּים
Notas da aula ·
Shabat Korach

O Caminho da Árvore da Vida

Insights de Michael Berg
da separação à unidade

KABBALAH CENTRE · Korach · Itália, 2024

Korach

Esta página é uma síntese da aula de Michael Berg para Shabat Korach, o único Shabat do ano que trata da grande separação, e por isso mesmo o Shabat em que se desperta a Luz da unidade. Um Shabat mundial, para o mundo inteiro.

A imagem central da aula

A janela e a Luz

יֵשׁ
Yesh
O ser · o que existe
אַיִן
Ayin
O nada
Imagine sua alma como uma janela · cada "isto sou eu" é um adesivo no vidro

Quanto mais colamos no vidro a lista de quem somos, títulos, conquistas, "isto é meu", menos Luz consegue brilhar através de nós. O trabalho da vida é ir do Yesh (o ser) ao Ayin (o nada): tornar-se uma janela limpa e clara através da qual a abundância da Luz do Criador simplesmente brilha.

Oito insights · Shabat Korach
01

A porção da separação, e da unidade escondida nela

Se houvesse uma única palavra para este Shabat, o Zohar usaria v'et'palig, "separar" (raiz פ־ל־ג). Toda oposição, todo ódio, toda guerra e todo sofrimento do mundo têm aí sua raiz, que remonta ao segundo dia da Criação, a primeira separação.

Mas a Torah não está contando uma história de separação, está nos despertando para a reunificação. Dentro deste Shabat de separação está escondida a grande Luz da unidade. É por isso que este é um Shabat mundial: nele se desperta tanto a raiz de toda fratura quanto, mais importante, a cura dela.

02

Por que Korach veio até Moshe

Moshe dedicava cada dia e cada noite a compartilhar, apoiar e amar os israelitas. E Korach se levanta diante de todos, o ataca, e cria uma revolta total. Por quê?

Porque o propósito da vida de Moshe era abrir, para toda a humanidade, o Derech Etz haChayim, o caminho de volta à Árvore da Vida. E não se pode percorrer esse caminho sem correção. Portanto, como ensinam o Zohar e Rabeinu Bachya, todos os problemas fundamentais do mundo tinham que vir até ele para serem corrigidos. Korach não era um inimigo aleatório, era o canal que trazia a falha fundamental da humanidade, a separação, para que Moshe a corrigisse.

"Moshe não pensou 'por que isto está acontecendo comigo?'. Ele entendeu: é disto que eu preciso." Michael Berg, sobre a consciência de Moshe
03

As três formas de encarar um desafio

Quando o caos, o problema ou a pessoa difícil entra em nossa vida, há três consciências possíveis:

Não-espiritual: "Ai, meu Deus, por que isto está acontecendo?"
Um pouco espiritual: "Não sei por que preciso passar por isto, mas deixe-me usar as ferramentas para atravessar a escuridão.", Michael diz: esta ainda é a consciência errada.
A consciência profunda: "Qual é o meu propósito? Estou abrindo meu caminho de volta à Árvore da Vida, e este desafio é exatamente o que minha alma precisa corrigir."

Os problemas da sua alma precisam voltar para você. Não é a próxima pessoa irritante a quem você simplesmente "não dará atenção", é precisamente o que você veio corrigir.

04

Ideia 1, Viver como parte do todo

A primeira das três ideias centrais: lembrar de nós mesmos e viver uma vida que é parte do todo, não uma existência separada. A história da Torah não é um livro histórico, é o processo da humanidade. O grande Kabalista italiano Rav Moshe Chaim Luzzatto explica que tudo começou no Jardim do Éden, quando o Criador prometeu, através de Adão: conecte-se à Etz haChayim, à Árvore da Vida, e você viverá para sempre, não apenas fisicamente, mas em abundância constante da Luz do Criador.

05

Ideia 2, Do Yesh ao Ayin: limpar a janela

Na Kabbalah há duas palavras que explicam tudo: Yesh (יֵשׁ), o que existe, o ser; e Ayin (אַיִן), o nada. É o nada que nos conecta ao Infinito, à Luz infinita do Criador.

Imagine sua alma como uma janela. A cada "isto sou eu", a cada "esta bênção agora é minha", você cola mais um adesivo, mais uma mancha no vidro. No fim da vida, chas v'shalom, quase nenhuma Luz consegue passar. Moshe e Aharon eram as janelas mais limpas do mundo: a abundância brilhava através deles porque nunca pensaram que era deles.

"Não é a Luz brilhando para mim, nem de mim, é a Luz do Criador brilhando através de mim." Michael Berg, sobre o estado de Mah

Essa é a consciência de v'nachnu mah, "e o que somos nós?". O estado completo de Moshe e Aharon: não somos nada. E por isso toda a Luz pôde brilhar através deles para o mundo.

06

Ideia 3, As faíscas espalhadas pelo mundo

Antes de a alma vir a este mundo, recebemos dois presentes. O primeiro: nossa alma gêmea, originalmente uma só alma dividida em duas, e a vida é o reencontro. O segundo: antes de descer, temos toda a sabedoria, toda a consciência e todas as bênçãos de que precisamos.

Mas ao entrarmos neste mundo, tudo isso nos é tirado e espalhado pelo mundo. Nosso trabalho é sair e recolher essas peças de sabedoria, essas faíscas de Luz espalhadas por toda parte. Cada pessoa, cada encontro, cada desafio pode conter uma faísca que é nossa para resgatar.

07

O Kotzker Rebe e a escada: continue pulando

O grande Kabalista, o Kotzker Rebe, ensina que descemos a este mundo por uma escada. Uma vez aqui, guardamos a memória de onde precisamos voltar, a Árvore da Vida, mas a escada se foi. Então tentamos pular de volta.

Algumas almas pulam 10 vezes e desistem. Outras, cem. Outras, mil, e desistem, caindo na realidade separada, escura e caótica. Somente quem pula todos os dias, o dia inteiro, pelo resto da vida, é elevado de volta pelo Criador à unidade, à Árvore da Vida, à Luz abundante para a qual viemos.

"Tenho que pular vigorosamente. Tenho que parar de colocar bloqueios na janela limpa que deveria estar aberta." Michael Berg
08

"Estou aqui recrutando", as 22.000 almas

Michael fecha a aula com o coração aberto. Nas Dez Emanações Luminosas aprendemos que, para transformar o mundo, são necessárias 22.000 almas realmente fazendo o trabalho. Um número pequeno, que mudará o mundo inteiro.

O convite não é apenas tornar a própria vida melhor, nem apenas ajudar os outros. É algo mais profundo: assumir para si o trabalho da humanidade, porque somos realmente um só.

"Nunca poderei estar completo até que toda a humanidade esteja completa, não porque eu queira ajudar os outros, mas porque é tudo o que somos: um todo unificado." Michael Berg, fechamento

Eu, porque eu sou o mundo, não há separação. O mundo precisa desesperadamente disto.

A Prática · do Yesh ao Ayin

Limpar a janela, recolher as faíscas

1
Reenquadre o desafio. Quando o caos, o problema ou a pessoa difícil aparecer, não pergunte "por que comigo?". Pergunte: "O que minha alma precisa corrigir aqui, no meu caminho de volta à Árvore da Vida?"
2
Encontre um adesivo na janela. Nomeie hoje uma coisa a que você se apega como "isto sou eu" ou "isto é meu", um título, uma conquista, uma bênção que você reivindicou como sua. Esse é um bloqueio no vidro.
3
Viva o Mah. Diga internamente: "Não sou nada. A sabedoria, as bênçãos, o sustento, é a Luz do Criador brilhando através de mim, não para mim, nem de mim."
וְנַחְנוּ מָה V'nachnu mah, "E o que somos nós?"
4
Recolha uma faísca. Saia ao mundo e resgate hoje uma peça de Luz, um ato de compartilhar, um aprendizado, uma reconexão com alguém de quem você se separou.
5
Pule de novo. Lembre-se da escada do Kotzker Rebe: o segredo não é pular forte uma vez, é pular todos os dias sem desistir. Faça hoje um pequeno retorno, e amanhã outro.
6
Escolha a unidade. Em uma interação hoje, aja a partir do "somos um só todo" em vez da separação. Cure, em pequena escala, a fratura do segundo dia da Criação.

Qual adesivo eu posso remover da janela hoje, para que mais Luz do Criador brilhe através de mim, e não apenas para mim?

Aula original: Michael Berg, Korach: O Caminho da Árvore da Vida, Shabat Korach, Itália, 2024 · transmissão Onehouse.

A aula está disponível com legendas em português. Síntese livre, tradução e adaptação por Thiago Moshe · Insights Kabalísticos.

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Thiago Moshe
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