Insights de Michael Berg
da separação à unidade
Esta página é uma síntese da aula de Michael Berg para Shabat Korach, o único Shabat do ano que trata da grande separação, e por isso mesmo o Shabat em que se desperta a Luz da unidade. Um Shabat mundial, para o mundo inteiro.
Quanto mais colamos no vidro a lista de quem somos, títulos, conquistas, "isto é meu", menos Luz consegue brilhar através de nós. O trabalho da vida é ir do Yesh (o ser) ao Ayin (o nada): tornar-se uma janela limpa e clara através da qual a abundância da Luz do Criador simplesmente brilha.
Se houvesse uma única palavra para este Shabat, o Zohar usaria v'et'palig, "separar" (raiz פ־ל־ג). Toda oposição, todo ódio, toda guerra e todo sofrimento do mundo têm aí sua raiz, que remonta ao segundo dia da Criação, a primeira separação.
Mas a Torah não está contando uma história de separação, está nos despertando para a reunificação. Dentro deste Shabat de separação está escondida a grande Luz da unidade. É por isso que este é um Shabat mundial: nele se desperta tanto a raiz de toda fratura quanto, mais importante, a cura dela.
Moshe dedicava cada dia e cada noite a compartilhar, apoiar e amar os israelitas. E Korach se levanta diante de todos, o ataca, e cria uma revolta total. Por quê?
Porque o propósito da vida de Moshe era abrir, para toda a humanidade, o Derech Etz haChayim, o caminho de volta à Árvore da Vida. E não se pode percorrer esse caminho sem correção. Portanto, como ensinam o Zohar e Rabeinu Bachya, todos os problemas fundamentais do mundo tinham que vir até ele para serem corrigidos. Korach não era um inimigo aleatório, era o canal que trazia a falha fundamental da humanidade, a separação, para que Moshe a corrigisse.
Quando o caos, o problema ou a pessoa difícil entra em nossa vida, há três consciências possíveis:
Não-espiritual: "Ai, meu Deus, por que isto está acontecendo?"
Um pouco espiritual: "Não sei por que preciso passar por isto, mas deixe-me usar as ferramentas para atravessar a escuridão.", Michael diz: esta ainda é a consciência errada.
A consciência profunda: "Qual é o meu propósito? Estou abrindo meu caminho de volta à Árvore da Vida, e este desafio é exatamente o que minha alma precisa corrigir."
Os problemas da sua alma precisam voltar para você. Não é a próxima pessoa irritante a quem você simplesmente "não dará atenção", é precisamente o que você veio corrigir.
A primeira das três ideias centrais: lembrar de nós mesmos e viver uma vida que é parte do todo, não uma existência separada. A história da Torah não é um livro histórico, é o processo da humanidade. O grande Kabalista italiano Rav Moshe Chaim Luzzatto explica que tudo começou no Jardim do Éden, quando o Criador prometeu, através de Adão: conecte-se à Etz haChayim, à Árvore da Vida, e você viverá para sempre, não apenas fisicamente, mas em abundância constante da Luz do Criador.
Na Kabbalah há duas palavras que explicam tudo: Yesh (יֵשׁ), o que existe, o ser; e Ayin (אַיִן), o nada. É o nada que nos conecta ao Infinito, à Luz infinita do Criador.
Imagine sua alma como uma janela. A cada "isto sou eu", a cada "esta bênção agora é minha", você cola mais um adesivo, mais uma mancha no vidro. No fim da vida, chas v'shalom, quase nenhuma Luz consegue passar. Moshe e Aharon eram as janelas mais limpas do mundo: a abundância brilhava através deles porque nunca pensaram que era deles.
Essa é a consciência de v'nachnu mah, "e o que somos nós?". O estado completo de Moshe e Aharon: não somos nada. E por isso toda a Luz pôde brilhar através deles para o mundo.
Antes de a alma vir a este mundo, recebemos dois presentes. O primeiro: nossa alma gêmea, originalmente uma só alma dividida em duas, e a vida é o reencontro. O segundo: antes de descer, temos toda a sabedoria, toda a consciência e todas as bênçãos de que precisamos.
Mas ao entrarmos neste mundo, tudo isso nos é tirado e espalhado pelo mundo. Nosso trabalho é sair e recolher essas peças de sabedoria, essas faíscas de Luz espalhadas por toda parte. Cada pessoa, cada encontro, cada desafio pode conter uma faísca que é nossa para resgatar.
O grande Kabalista, o Kotzker Rebe, ensina que descemos a este mundo por uma escada. Uma vez aqui, guardamos a memória de onde precisamos voltar, a Árvore da Vida, mas a escada se foi. Então tentamos pular de volta.
Algumas almas pulam 10 vezes e desistem. Outras, cem. Outras, mil, e desistem, caindo na realidade separada, escura e caótica. Somente quem pula todos os dias, o dia inteiro, pelo resto da vida, é elevado de volta pelo Criador à unidade, à Árvore da Vida, à Luz abundante para a qual viemos.
Michael fecha a aula com o coração aberto. Nas Dez Emanações Luminosas aprendemos que, para transformar o mundo, são necessárias 22.000 almas realmente fazendo o trabalho. Um número pequeno, que mudará o mundo inteiro.
O convite não é apenas tornar a própria vida melhor, nem apenas ajudar os outros. É algo mais profundo: assumir para si o trabalho da humanidade, porque somos realmente um só.
Eu, porque eu sou o mundo, não há separação. O mundo precisa desesperadamente disto.
Qual adesivo eu posso remover da janela hoje, para que mais Luz do Criador brilhe através de mim, e não apenas para mim?
Aula original: Michael Berg, Korach: O Caminho da Árvore da Vida, Shabat Korach, Itália, 2024 · transmissão Onehouse.
A aula está disponível com legendas em português. Síntese livre, tradução e adaptação por Thiago Moshe · Insights Kabalísticos.
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