
O ensinamento de Monica Berg
sobre as seis etapas do teshuvá
Esta página é uma síntese da palestra de Monica Berg sobre a porção Ki Tetze. Antes de qualquer coisa se manifestar, existe um momento de perfeição que a precede. A nossa alma também tem o seu, e o trabalho destas semanas é voltar até ele. Não é mudar por partes. É retornar.
Tomamos tudo o que enxergamos pelos cinco sentidos como a realidade. A Kabbalah ensina que isso é apenas a realidade de 1 por cento, e que os 99 por cento são tudo o que não se vê. Se formos honestos, é no 1 por cento que passamos quase todo o tempo. As semanas que antecedem Rosh Hashaná existem para inverter essa conta.
A palestra abre com uma lei espiritual. Antes de a asa da borboleta sair do casulo, antes de um bebê respirar pela primeira vez, antes de uma flor desabrochar, existe um momento de perfeição que vem antes. Monica Berg pede que a gente pense na casa dos sonhos: ela é diferente para cada um de nós e, na hora de construir, aparecem atrasos e imprevistos. Mas, na sua mente, aquela casa é perfeita, e esse momento vem antes de tudo.
Rav Ashlag diz que é assim quando pensamos na nossa alma. Neste momento, todos nós estamos no meio de um processo, e a gente esquece disso. O momento de perfeição da alma vem antes de tudo o que a vida construiu por cima.
Levamos esta vida muito a sério. Levamos as nossas experiências e o nosso corpo muito a sério, e tomamos tudo o que os cinco sentidos mostram como a realidade. Mesmo estudando na Kabbalah que isso é ilusão, o dia a dia da nossa mente é o 1 por cento: é assim que eu me sinto, foi isso que me machucou, foi assim que aquela pessoa me tratou.
O que Monica Berg pede é uma troca de lente. Na verdade, estamos apenas no meio de um processo, e precisamos manter isso presente, principalmente nestas semanas que antecedem Rosh Hashaná.
Ela cita a chamada tristeza de agosto: o verão acabou, e voltamos para a realidade. E chama isso de mais uma ilusão, porque quem trata estas semanas como simples volta à rotina perde a oportunidade do ano novo e tudo o que ele tem a oferecer.
É isso que torna o mês de Virgem, o nosso Elul, tão poderoso: ele é o momento que antecede o momento de perfeição que está chegando, Rosh Hashaná, o primeiro dia do ano. Existem seis etapas no processo do teshuvá, e a palestra atravessa todas, uma a uma, para checarmos onde estamos.
A primeira etapa é revisitar, e ela deve doer um pouco. É como quando a gente começa a pegar no sono e desperta de repente: não acredito que eu disse aquilo. O coração aperta. É assim que deve ser, diz Monica Berg. Revisitar é voltar de verdade e sentir a dor que a gente causou.
Mas a parte que quase ninguém revisita é a outra. Como nos afastamos de nós mesmos neste ano? Em quantos lugares poderíamos ter estado, compartilhado, experimentado a Luz e oferecido isso? Quando revisitamos, quase sempre olhamos para fora, para o que fizemos ou deixamos de fazer. O trabalho verdadeiro inclui olhar para o que ficou por revelar, o mesmo lugar aonde o grito da alma vai buscar.
Alguns esquecem a resposta nessa hora, porque não viveram a vida que era para viver e ficaram longe demais da própria essência. Não é uma ameaça, é um despertador. É disso que este período trata.
As duas etapas seguintes andam juntas: voltar com compaixão e empatia, procurar as pessoas que a gente machucou e escutar de verdade.
E há uma instrução para este mês que vai na contramão de tudo o que o ego pede. Está escrito que, se alguém vier dizer algo negativo sobre você, ou até te destratar, o importante é não dizer nada. Ficar quieto e ouvir, porque isso é um processo de limpeza. "Então eu imploro a vocês", diz Monica Berg, "façam a segunda e a terceira etapa."
A quarta etapa é se conectar ao seu eu perfeito. As nossas almas são todas perfeitas, só estão cobertas por véus, por causa do nosso Desejo de Receber nesta vida.
Quando pensamos em mudança, pensamos em pedacinhos: mudar aquela coisinha, fazer um pouco menos daquilo. Não é disso que Rosh Hashaná trata. Teshuvá significa retornar. Retornar a você, à sua essência, à sua alma, e viver essa realidade. Isso muda tudo.
Mudar uma coisinha aqui, fazer um pouco menos ali. Pequenas partes, uma de cada vez. Chega até certo ponto.
Voltar à versão perfeita de você mesmo, se encontrar de novo, tirar as camadas. Não é ajustar a pessoa. É voltar a ser ela.
Levantar véus, diz ela, é a nossa especialidade. Nisso a gente é mestre. Derrubá-los, no resto do ano, é bem difícil. Mas nesta semana, nesta porção, neste Shabat, nós conseguimos.
A quinta etapa é o perdão, e Monica Berg entrega com uma conta. Se você tivesse 604.800 dólares no banco e alguém roubasse 20, você gastaria todo o resto do dinheiro tentando recuperar aqueles 20? Ninguém faria isso. Seria ridículo.
604.800 é o número de segundos que uma semana tem. Alguém diz algo horrível durante 20 segundos, num jantar ou no Instagram, às vezes uma pessoa que a gente nem conhece, e a gente entrega os outros seiscentos e tantos mil segundos da semana ruminando aquilo. É assim que a gente desperdiça a vida.
A sexta e última etapa é soltar. E só se solta de verdade quando se torna outra pessoa: quando você não é mais quem se chateia com os 20 segundos, nem quem se afasta de si mesmo, nem quem foge daquilo que veio fazer neste mundo. Então o que você fez não volta, porque quem fez já não está aqui.
Monica Berg conta dos cochichos que ouviu depois do nascimento do filho, anos depois de ter atravessado um transtorno alimentar, quando a ansiedade a deixou visivelmente abaixo do peso: ela está doente de novo. E da pergunta honesta que se fez: espera, será que estou? Não. Porque a pessoa que adoeceu não estava mais ali. Ela já não pensava do mesmo jeito, não se criticava do mesmo jeito, tinha aprendido a se amar e a se aceitar de verdade.
É esse o processo que pode acontecer daqui até Rosh Hashaná. E o convite final é tomar posse do poder deste Shabat: cada palavra, cada frase, cada som, para derrubar as paredes e os véus que cobrem a essência.
Teshuvá · retornar à essência
Em quantos lugares eu poderia ter estado e compartilhado, poderia ter experimentado a Luz e oferecido isso?
Palestra original: Monica Berg, conexão de Shabat da porção Ki Tetze, Kabbalah Centre, 26 de agosto de 2023. Esta página é uma síntese em voz própria de Thiago Moshe, não uma transcrição. As frases entre aspas seguem as legendas oficiais em português da palestra.
Fontes citadas na palestra: o ensinamento de Rav Ashlag sobre o momento de perfeição que precede a manifestação · as seis etapas do processo do teshuvá · e o ensinamento sobre a pergunta feita à alma ao deixar este mundo, "qual é o seu nome?".
Toda semana eu envio os destaques da porção, a prática e os links das palestras. Sem barulho, uma mensagem por semana.
Receber no WhatsApp →