O que a Kabbalah acrescenta
à afirmação de Louise Hay
Uma afirmação da Louise Hay circula há décadas nas redes, e ela chega bem perto do segredo que Michael Berg abre na porção de Ekev. Perto o bastante para valer a pena olhar onde as duas se encontram, e onde uma completa a outra.
Shalem e Shalom saem da mesma raiz. Em hebraico, a paz não é a ausência de conflito, e sim o estado de estar inteiro. E é por isso que a afirmação e a porção falam da mesma coisa por caminhos diferentes: quando você se sabe inteiro aos olhos da Luz do Criador, a guerra interna em torno do que falta simplesmente para.
"Na infinitude da vida onde eu estou, tudo é perfeito, inteiro e completo." A abertura da afirmação está kabalisticamente correta, e é mais literal do que parece.
No nível da Luz do Criador não existe falta. A Essência dela é dar, e por isso a realização de tudo o que você precisa já existe e já foi separada. Michael Berg diz isso na porção de Ekev com todas as letras: o Criador está esperando, esperando, esperando para entregar.
Então a frase não é otimismo. É uma descrição da Fonte.
A afirmação segue assim: eu não escolho mais acreditar em velhas limitações e na falta. E é aqui que a Kabbalah pede cuidado.
A falta não é uma crença falsa a ser apagada. A falta é o recipiente. É ela que faz você querer, e sem querer não há como receber. Um copo só se enche porque está vazio.
Se você apaga a falta, apaga o recipiente junto, e aí a Luz não tem onde entrar. O trabalho não é deixar de sentir. É deixar de interpretar a falta como prova de que nada foi preparado para você.
"Eu escolho me ver como o Universo me vê." Essa é a linha mais bonita da afirmação, e o Sefer HaChinuch diz exatamente o que a Luz do Criador vê quando olha para você.
Ela vê alguém para quem tudo já foi separado. Não falta nada do lado de lá. O que falta é a passagem, e a passagem é o seu trabalho, não o dela.
Esta é a diferença prática, e ela decide tudo. Uma afirmação repetida é uma frase. Michael Berg é duro nesse ponto: palavra sem consciência não liga nada.
A apreciação é outra coisa. Ela tem que ser verdadeira, completa, real, e o corpo responde quando ela é. São cem momentos por dia, metade pelo que já chegou e metade pelo que ainda está a caminho.
Cole a afirmação no espelho, se ela te ajuda. Só não confunda ler a frase com acordar a alma. A primeira leva cinco segundos, e a segunda leva o dia inteiro.
Deixo de acreditar na falta, porque a falta é uma limitação antiga que eu carrego sem precisar.
Sinto a falta e a guardo, porque ela é o recipiente. O que eu solto é a leitura de que ela prova que nada foi preparado para mim.
A afirmação é de Louise Hay (1926 a 2017), autora de Você Pode Curar Sua Vida, e circula em cartões e redes sociais há décadas. Citamos apenas trechos curtos, e o restante está parafraseado.
O ensinamento kabalístico vem de Michael Berg, Shabat de Ekev, 16 de agosto de 2025, Kabbalah Centre de Los Angeles, na parte dedicada ao Sefer HaChinuch.
A leitura que aproxima as duas coisas, a raiz de shalem e shalom e a imagem do copo vazio são síntese de Thiago Moshe · Insights Kabalísticos. Michael Berg não cita Louise Hay em nenhum momento.