O segredo da vaca vermelha e a cura da consciência da morte
Ethan Yardeni · Porção Chukat · 5785
Esta página é uma síntese da aula de Ethan Yardeni, um mapa para
você voltar à fonte. A porção Chukat guarda um dos segredos mais profundos da Kabbalah: como
limpar de dentro de nós a força da morte e despertar a certeza de que a Luz está conosco o
tempo todo.
Antes de tudo, ouça o professor diretamente. A página é só um mapa; a Luz da aula está na voz dele.
O oposto da morte não é só "estar vivo". É a Luz, a energia de continuidade
que nos guia mesmo nos piores momentos.
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"De onde vieram as asas?" "Elas já estavam dentro de mim."Antes de começar · respire e reflita
A lagarta não enxerga as asas, mas elas já estão ali, inteiras, esperando. O que já existe dentro de você, esperando apenas para virar voo?
E se a força, a clareza e a Luz que você procura do lado de fora já estivessem com você o tempo todo, por dentro?
Virar borboleta exige atravessar o casulo: uma pequena "morte" do que se era antes. Que desconforto você vem evitando hoje, que talvez seja exatamente a porta da sua transformação?
01
O segredo da vaca vermelha
O coração da porção Chukat é o segredo da vaca vermelha, uma vaca sem qualquer
mancha, sem um único ponto que não fosse vermelho, que nunca havia trabalhado nem carregado
jugo algum. No tempo do Tabernáculo e, depois, do Templo Sagrado em Jerusalém, suas cinzas
eram usadas para purificar quem tivesse contato com aquilo que a Torah chama de
impureza da morte (tumat met).
E essa impureza não é uma entre outras. A Kabbalah a chama de avi avot hatumah, a
raiz de todas as impurezas. Limpar essa força é o presente desta semana.
02
O que é, de verdade, a "energia da morte"
Se lermos a Torah ao pé da letra, a impureza da morte fala de quem se aproxima de um corpo
sem vida. Mas é muito mais do que isso: todos nós carregamos energia morta por dentro.
Essa energia da morte é a ilusão do finito, a ilusão da desconexão. Quando
as pessoas temem a morte, no fundo temem o fim, o fim da vida, o fim da bênção, o fim de um
processo; temem ficar sós, sem propósito, sem significado, sem continuidade. Todos os nossos
medos brotam dessa mesma raiz.
03
A raiz de todo bloqueio: "a Luz não está comigo"
Qual é a raiz de toda força de impureza, de toda névoa que nos cega e nos deixa, nas
palavras do professor, "estúpidos" diante da vida (não em QI, mas na incapacidade de sentir
o que é verdadeiro)? É um único pensamento: a Luz do Criador não está comigo.
Mesmo quem estuda Kabbalah há anos conhece o instante em que sente "sei que há Luz nesta
ação", e, momentos depois, "talvez haja Luz, talvez não; sinto-me sozinho". São camadas de
espírito impuro nos isolando da verdade de que somos parte de algo infinito que se importa
conosco. E quando me sinto só, o resultado é previsível: torno-me reativo, egoísta,
medroso, e alimento ainda mais as klipot (as cascas que bloqueiam a Luz).
A raiz de toda impureza da morte é se desconectar da fonte da vida, que é a
Luz do Criador, o tempo todo.
Ethan Yardeni · aula de Zohar, Chukat
04
Do lado da Luz, não há mudança
Aqui está a virada. Do ponto de vista da Luz, ela está constantemente nos guiando,
impulsionando e apoiando rumo à nossa correção final, a cada segundo. Não há mudança do
lado da Luz. Sou eu que me bloqueio com "hoje estou mais espiritual, hoje estou menos".
Mesmo quando faço uma ação egoísta e, pela lei de causa e efeito, me desconecto, a Luz, no
mesmo instante, já me oferece um caminho de volta. Ela não está decepcionada. Ela não julga.
Quando eu realmente vivo isso, a manifestação deixa de inflar meu ego ("foi a Luz que me
ajudou"), e a queda deixa de me afundar ("a Luz está comigo, então: continuidade,
Teshuvah, transformação"). E o mesmo olhar se estende aos que estão perto de mim: quando
alguém do meu círculo, do meu Tikkun, falha por um momento, eu vejo a alma daquela pessoa e
permaneço ali para apoiar.
A Luz não está decepcionada. A Luz não é julgadora. Ela está constantemente
com você, não importa o quê.
Ethan Yardeni · aula de Zohar, Chukat
05
A vaca vermelha e a Coluna da Esquerda
O Zohar (verso 18 desta parashá) revela um fio do segredo: a vaca vem purificar o impuro,
Malchut (o nosso mundo) quando recebe da esquerda. O vermelho é a cor da Coluna da Esquerda,
a do rigor e da lei. Em outras palavras, a vaca vermelha representa essa poderosa
Coluna da Esquerda, o puro desejo de receber só para si, a Luz direta sem
restrição.
Quando opero apenas pela esquerda, geralmente porque sinto que "a Luz não está comigo",
atraio energia, mas alimento a força da morte. É assim que a klipá se nutre: ela nos dá uma
vida ilusória, de riso e prazer momentâneo, de sucesso passageiro, de estar acima de alguém.
Parece vida, mas a consciência por baixo é a morte: "não estou conectado à fonte".
E o que é queimar a vaca vermelha? Não é queimar a Luz. É olhar para o desejo de
receber só para si e dizer: "Vá embora. Eu não quero você." É lutar contra a força da morte,
abrir mão do que chamamos de medo da morte. As cinzas, então, tornam-se a vacinação.
06
"Zot ha-Torah": estar disposto a encarar a ilusão da morte
Há um verso desta porção que a Kabbalah lê de um jeito surpreendente: Zot ha-Torah,
adam ki yamut ba'ohel, "Esta é a Torah: quando um homem morre na tenda…". Lido assim,
não diz "esta é a lei"; diz que esta é a Torah, o próprio propósito do
trabalho espiritual: estar disposto a encarar a ilusão da morte.
Temos medo de tantas coisas, do constrangimento, de ser julgados, de as coisas não saírem
do nosso jeito, de perder dinheiro, de adoecer, até, no limite, de morrer. A única forma de
se conectar com a força da vida é dizer ao universo: "Se for o que eu preciso, estou
disposto a encarar essa morte", seja ela qual for. Inclusive o desconforto: para nós,
preguiça é medo do desconforto, e o desconforto é uma pequena morte ilusória. Repare como
nos sentimos vivos depois de um alongamento difícil, de um mergulho na água
fria, a vida está do outro lado do desconforto.
Enquanto você foge daquilo que percebe como morte, a morte corre atrás de você.
Ethan Yardeni · aula de Zohar, Chukat
Mini-prática
Escolha hoje um desconforto que você vem evitando, uma
conversa difícil, um hábito adiado, um pedido de desculpas. Diga em silêncio: "Estou disposto
a encarar essa pequena morte", e dê o primeiro passo.
07
Falar com a rocha, não bater nela
Michael Berg compartilha, dos kabalistas, um ensinamento desta porção. Depois que Miriam,
irmã de Moshe, deixou este mundo, faltou água, e o povo clamava. O Criador instruiu Moshe:
"Fale com a rocha, e dela sairá água." Mas Moshe bateu na rocha, e a água saiu
assim mesmo. Por isso, está escrito, ele não entrou na terra de Israel.
Qual é a diferença entre falar com a rocha e bater nela? A força da morte toma conta de nós
sempre que estamos apegados demais à realidade física: o que disseram ou não
disseram de mim, quanto recebi, se obtive o resultado que queria, se está bonito ou não.
Viver neste mundo exige navegar altos e baixos, a pergunta é: estou apegado a
eles? Quem está apegado precisa de uma sacudida (bater na rocha) para se desapegar e voltar
a ver a Luz. Quem conversa constantemente com a Luz pode apenas falar com a rocha,
e manifestar milagres.
Bater na rocha (apego)
Minha vida é definida pelos resultados, pelo dinheiro e pelo que os
outros pensam. Preciso de um abalo para acordar.
Falar com a rocha (Luz)
Navego os altos e baixos sem me perder neles. Converso com a Luz,
"me dê força, me mostre clareza", e avanço, independentemente do meu estado.
08
Despertar a consciência da imortalidade
O Rav Berg dizia que, nesta porção, recebemos a visão do propósito deste mundo: trazer a
imortalidade, experimentar que não há morte, nem mesmo fisicamente. Todo sofrimento
pode ser rastreado até comportamento reativo, egoísta, à falta de amor; mas qual é a raiz
disso? "Estou desconectado da Luz." É exatamente isso que viemos restaurar.
Por isso lemos e escaneamos o Zohar diariamente: não só pelo momento em que os olhos passam
pelas letras, mas para despertar dentro de nós a conexão eterna com a fonte da vida. Para
acordar a consciência de que somos imortais, porque a Luz está conosco o tempo todo, e eu
estou com a Luz o tempo todo.
Somos imortais porque a Luz está conosco o tempo todo, e eu estou com a Luz
o tempo todo.
Ethan Yardeni · aula de Zohar, Chukat
A prática desta semana · da morte à vida
Conversar com a Luz, encarar a ilusão da morte
1
Declare a consciência da semana. Comece o dia dizendo
"A Luz está comigo", e repita ao longo do dia, sentindo ou não sentindo. É a única
consciência que dissolve a raiz da impureza da morte.
אֵין עוֹד מִלְבַדּוֹEin od milvado, "não há nada além d'Ele": nenhum espaço onde a Luz não esteja.
2
Não deixe a manifestação inflar o ego.
Quando algo der certo, lembre que foi a Luz que ajudou a manifestar, e parta para a próxima
coisa que pode trazer mais Luz ao mundo.
3
Não se puna depois de uma queda.
Quando reagir ou falhar, troque "agora não há Luz" por "a Luz está comigo,
incondicionalmente", e deixe vir o pensamento de Teshuvah (retorno) e continuidade.
4
Encare uma pequena "morte".
Escolha um desconforto que você vem evitando e dê o primeiro passo: "Estou disposto a passar
por isto." Lembre que a vida está sempre do outro lado do desconforto.
5
Fale com a rocha, não bata nela.
Diante de uma dificuldade, comunique-se com a Luz, "eu adoraria um milagre agora; me dê
força, me mostre clareza", em vez de se debater no apego ao resultado.
6
Escaneie o Zohar.
Leia ou escaneie o Zohar para despertar, por dentro, a certeza de que a fonte da vida está
sempre com você, não só enquanto os olhos passam pelas letras.
Hoje, eu quero bater na rocha, ou falar com ela?
Que, neste Shabat de Chukat, as cinzas da vaca vermelha purifiquem em nós toda consciência de
morte, e que possamos sentir, sem interrupção, que a Luz do Criador está conosco o tempo todo.
Sobre esta página. Síntese livre, na voz de Thiago Moshe, da aula de Zohar de
Ethan Yardeni sobre a porção Chukat. As passagens do Zohar
(versos 18 e 33 desta parashá) são a fonte textual citada dentro da aula. O ensinamento de
"falar com a rocha" é relatado pelo professor a partir de Michael Berg e dos
kabalistas; a visão da imortalidade como propósito da porção é atribuída ao Rav
Berg. As frases destacadas são paráfrases das palavras do professor, não citações
literais. Os termos em hebraico foram conferidos; qualquer dúvida, prevalece a fonte.
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