חַיָּל
Aula de Shabat ·
Balak

Soldados da Luz

O chamado de Michael Berg
na porção Balak

MICHAEL BERG · Porção Balak · 5786

Balak

Esta página é uma síntese da aula de Michael Berg sobre Balak, um mapa para você voltar à fonte. A porção guarda um segredo que os kabalistas pediam para revisitar todos os dias: a vida espiritual não é a escolha de um dia, e sim uma batalha, e podemos escolher travá-la com alegria, como soldados da Luz do Criador.

A imagem central da aula
O movimento da porção

Da escuridão à Luz

חֹשֶׁךְ
Choshech
escuridão
אוֹר
Or
Luz

As maldições de Balak e Bilaam acabaram se transformando em bênçãos, e esse é, em uma imagem, todo o trabalho do soldado: pegar a escuridão deste mundo e transformá-la em Luz. A porção Balak não fala de uma guerra antiga; fala da batalha que travamos hoje, ao acordar, em cada pensamento e em cada ação.

Oito insights · Balak
01

Uma batalha disfarçada de história antiga

A porção desta semana conta a história de duas almas muito poderosas, Balak e Bilaam, que desejam destruir os Israelitas. Bilaam é um feiticeiro cuja força está na fala e na consciência; ele tenta, tenta, e, ao final, suas maldições se transformam em bênçãos.

Parece apenas uma história do deserto, de milhares de anos atrás. Mas os kabalistas dizem algo surpreendente: o segredo deste Shabat é tão único que deveríamos meditar sobre ele todos os dias. Há aqui uma dádiva à qual precisamos nos conectar não só uma vez por ano, mas em cada manhã.

02

Sichon e Og, as forças que já agem em você

O texto fala de dois reis, Sichon e Og, mas são palavras-código. Sichon é a força que paira sobre a mente: ela gera cada dúvida, cada medo, cada pensamento negativo. Og é a força que produz os problemas do mundo físico, inclusive os de saúde (uma palavra aramaica ligada a Og significa "braço", a força que provoca dificuldades concretas).

Quatro nomes para guardar neste Shabat: Balak, Bilaam, Sichon e Og. Balak e Bilaam são os Arcanjos da Negatividade; Sichon e Og, as forças que eles operam sobre a sua mente e sobre o seu mundo.

"Teve uma dúvida, um medo, um pensamento negativo esta semana? Veio de Sichon. Um problema físico? Veio de Og." Michael Berg · aula sobre Balak
03

Ser espiritual não é uma escolha, é uma batalha

Aqui está o coração da aula, e talvez o erro mais comum, até entre alunos do Centro: achar que a espiritualidade é uma escolha que se faz uma vez. Existe toda uma estrutura coletiva de negatividade, com inúmeras subforças, cuja única função, desde o instante em que acordamos, é semear dúvida, medo, calamidade e escuridão.

Você pode decidir ser espiritual hoje. Mas amanhã de manhã terá de lutar por isso de novo, porque Balak, Bilaam, Sichon e Og não estão esperando. Eles estão prontos. E concentram seus ataques exatamente onde estão os soldados: sobre quem está tentando trazer Luz ao mundo.

"Ser espiritual não é uma escolha. Você pode decidir hoje, mas amanhã de manhã terá de lutar por isso outra vez." Michael Berg · aula sobre Balak
04

Por que o deserto? Porque o soldado escolhe a escuridão

Ao saírem do Egito, os Israelitas poderiam imaginar que iam direto para a felicidade suprema. Mas Moshe lhes diz: não vamos para a Terra de Israel, onde tudo corre bem. Vamos para o deserto, o lugar das cobras e dos escorpiões, dos desafios e da escuridão. Escolhemos lutar. Vamos à terra de Sichon, a batalha da mente, e à terra de Og, a batalha do mundo físico, para transformá-las.

Houve quem recusasse: a Erev Rav (a multidão mista) disse "essa não é a nossa espiritualidade; não foi para isso que nos comprometemos". Queriam a espiritualidade fácil, meditar, inspirar-se, uma vida só de bondade. Mas o caminho da Luz, ensina Michael, passa por escolher ser soldado.

Mini-prática Hoje, quando surgir a primeira dúvida ou o primeiro "não quero", repare nela e diga em silêncio: "eu te vejo, Sichon", e escolha avançar mesmo assim.
05

Sete gerações de batalha: como a Luz voltou ao mundo

O Midrash conta por que essa luta é tão antiga. Antes da queda de Adão, a Luz do Criador preenchia o mundo, sem dor, sem sofrimento, sem morte. Com a queda, e a cada geração negativa que se seguiu, Caim, a geração de Enosh, o dilúvio, a geração da separação, Sodoma, a Luz foi se afastando, subindo céu após céu, até quase desaparecer.

Contra esse afastamento, sete almas justas trouxeram a Luz de volta, um firmamento por vez, cada uma através da própria batalha espiritual: Avraham, Yitzchak, Yaakov, Levi, Kehat, Amram e Moshe, o sétimo. A revelação no Sinai foi a conclusão dessas sete gerações de luta. Os justos trazem a Luz para este mundo; a força negativa tenta empurrá-la para longe. É essa a batalha, e é essa a escolha que temos.

06

Por que viemos: a alma do soldado

E se você escolher não lutar? Michael é honesto: você viveria à mercê dos caprichos do mundo, quase sem livre-arbítrio, coisas boas e ruins acontecendo conforme a energia do momento. Quem não luta colhe da batalha daqueles que lutam, mas perde o próprio motivo de ter vindo.

Por que fomos despertados justamente para a Kabbalah, entre tantos caminhos? Porque nossa alma veio a este mundo para travar essa batalha. Talvez bastem 22 mil soldados, e a batalha desses 22 mil é trazer a Luz do Criador para todo o resto do mundo.

07

O maior presente: alegria na batalha

Cuidado com a palavra "luta". Escolher ser soldado não significa infelicidade. O maior presente deste Shabat vem em três partes: primeiro, compreender que há uma batalha; segundo, escolher, "serei um soldado nesta batalha"; e terceiro, pedir a alegria: "não apenas me dê força para lutar, Luz do Criador, dê-me a alegria da luta".

Michael conta que viu o Rav e a Karen Berg felizes quase sempre, mas nunca os viu sem uma batalha, um desafio ou outro. As pessoas mais felizes do mundo sempre foram, e sempre serão, os soldados que escolhem lutar e têm a Luz do Criador ao seu lado.

"Não peça apenas força para lutar. Peça a alegria da luta, queira ser o soldado mais feliz que já existiu." Michael Berg · aula sobre Balak
08

A meditação de cada manhã: aceitar o jugo

É aqui que a aula se torna prática. Os soldados, diz Bilaam, acordam cada manhã com a energia de um leão. Há um conceito, kabbalat ol malchut Shamayim, aceitar o jugo, que significa, no fundo, aceitar a batalha e escolher ser soldado hoje. Porque a escolha de ontem não vale para amanhã: amanhã há um novo Sichon, um novo Og, uma nova batalha.

Por isso pedimos, toda manhã, força e Luz renovadas. E há um reconhecimento que muda tudo: quando decido ser um soldado da Luz do Criador, o Criador me escolhe de novo, todos os dias. "Preciso de você nesta batalha, e te darei todo o poder, toda a força e toda a alegria para que, no fim, você vença a batalha de hoje." E Bilaam profetiza: no final, os soldados vencem.

"Quando decido ser um soldado da Luz, o Criador me escolhe de novo, todos os dias." Michael Berg · aula sobre Balak
A prática desta semana · a meditação do soldado

Aceitar o jugo, todas as manhãs

1
Reconheça a batalha. Ao acordar, lembre: Balak, Bilaam, Sichon e Og, as forças da negatividade, vêm lutar contra mim hoje. Isto não é pessimismo; é clareza.
2
Escolha ser soldado. Diga: "Eu escolho ser um dos soldados da Luz do Criador, hoje." A escolha de ontem não vale para hoje, é preciso refazê-la a cada manhã.
3
Peça força renovada. "Dê-me, Luz do Criador, a força, o poder e a energia de que preciso para a batalha de hoje."
4
Peça também a alegria. "Não apenas a força para lutar, dê-me a alegria da luta. Que eu seja o soldado mais feliz que já existiu."
5
Entre no deserto de propósito. Quando o desafio aparecer, não fuja para a "espiritualidade fácil": é ali, na escuridão, que o soldado transforma escuridão em Luz.
6
Feche o dia vencendo. À noite, reconheça a batalha daquele dia como vencida, e saiba que, para quem pede, a energia se renova amanhã.
קַבָּלַת עֹל מַלְכוּת שָׁמַיִם Kabbalat ol malchut Shamayim, "aceitar o jugo": escolher, hoje, ser um soldado da Luz.

Quando eu escolho ser soldado, o Criador me escolhe de novo, todos os dias. Vou aceitar hoje?

Sobre esta página: síntese livre, na voz de Thiago Moshe, da aula de Michael Berg sobre a porção Balak, "Sendo Soldados da Luz". Os ensinamentos sobre Sichon e Og, sobre a descida e o retorno da Luz ao longo de sete gerações, e sobre a meditação matinal são apresentados pelo professor a partir do Sfat Emet, do Talmud e do Midrash.

As frases destacadas são paráfrases das palavras do professor, não citações literais.

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Com amor e Luz,
Thiago Moshe
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