Refuá · cura
30 Dias de Cura · EncerramentoA consciência que sustenta
tudo o que praticamos nestes trinta dias
Estes trinta dias não foram um tratamento. Foram um treino de consciência. Esta última página não traz nenhuma ferramenta nova, e sim a consciência que sustenta todas as que já praticamos, para que os trinta dias continuem trabalhando depois que a série terminar.
A seção do Zohar que trabalhamos ao longo destes dias descreve a cura como um movimento, e não como um evento. Alguma coisa que estava sob julgamento passa a estar sob misericórdia. É o mesmo movimento em toda escala: no corpo, quando um órgão volta a receber; entre duas pessoas, quando alguém desiste de ter razão; dentro de nós, quando paramos de julgar a nossa própria falta.
Por isso a Kabbalah não separa a cura do corpo da cura das relações. As duas acontecem pelo mesmo mecanismo, e é esse mecanismo que estes trinta dias vieram treinar.
Quando adoecemos, a primeira pergunta é sempre a mesma: o que eu tomo, o que eu faço, quanto tempo leva. A Kabbalah trabalha na direção oposta. Ela não começa pelo sintoma, e sim pela conexão que ficou interrompida.
Nada do que fizemos nestes trinta dias funciona como remédio. Funciona como treino. E treino tem uma característica que remédio não tem: ele continua depois que a dose acaba, desde que a gente continue.
Michael Berg ensina que quase todo mundo ora do mesmo jeito. A pessoa tem um problema, chega diante da Luz do Criador e pede que a Luz venha até o problema. Repare na estrutura: existem três coisas ali. Eu, a Luz, e o problema.
O estado real de cura, como o estado real de oração, tem um participante só. Quando a pessoa chega à consciência de que tudo o que existe é a Luz do Criador, não sobra lugar onde a doença possa existir como uma segunda realidade.
Michael Berg ensina que na raiz de qualquer doença ou desconforto está o desejo da alma de deixar o corpo, e que compartilhar é o que devolve à alma a razão de ficar. Ler isso muda tudo o que vem depois, porque muda contra o que estamos lutando.
Se a doença é o inimigo, a única postura possível é o desespero, e o desespero é ele mesmo uma forma de desconexão. Se a doença é um sintoma da conexão que se estreitou, então existe algo a fazer, e esse algo é exatamente o que praticamos. Certeza no lugar do desespero não é otimismo, é a leitura correta do que está acontecendo.
A porção de Pinchas é a seção do Zohar que trata especificamente da cura, dos órgãos internos e das demais partes do corpo. Quando escaneamos aqueles versos, não estamos fazendo um gesto simbólico de fé. Estamos abrindo um canal por onde a Luz do Criador passa.
Vale dizer isso com todas as letras, porque muita gente pratica sem acreditar no que está praticando: as meditações, os Nomes e o escaneamento do Zohar são tecnologia espiritual, e não folclore. Foi por isso que a série gastou trinta dias com eles.
Esses dois erros são simétricos, e quase todo estudante mora em um deles. Um lado entende tudo, fala bonito sobre a Luz e não escaneia nada. O outro escaneia todos os dias no piloto automático e não muda um centímetro.
Rav Ashlag já ensinava isso muito antes de nós, e Michael Berg insiste no ponto: ensinamento entendido ainda não é ensinamento. Ele só existe quando vira experiência.
Shimon Sarfati, um professor do Kabbalah Centre, ensinou que o Capítulo 68 da porção de Pinchas é especialmente poderoso quando alguém está doente. E lembrou de uma condição que é fácil de esquecer: meditar por outra pessoa é muito mais forte quando desejamos aquela cura também para nós.
Não é egoísmo, é hidráulica espiritual. O recipiente só se enche quando tem por onde escoar. A Luz que entra e para em você não é Luz recebida, é Luz represada.
O ego tem uma função só, e ele a cumpre muito bem: criar distância. Distância entre mim e você, entre mim e a Luz do Criador, entre mim e a parte de mim que eu não quero olhar. Cada julgamento alarga esse espaço. Cada reação alarga um pouco mais.
É por isso que a Kabbalah trata a separação como a doença de raiz. Todo o resto, inclusive o que aparece no corpo, é o que acontece quando um circuito fica muito tempo aberto. Combater o ego não é um exercício de humildade, é o trabalho de fechar o circuito.
Aqui está a ideia que sustenta todas as outras, e que faz destes trinta dias uma coisa só. Combater o ego não é a preparação para a cura. É a cura acontecendo.
E é também a razão de estarmos aqui. Cada dia acrescenta uma peça ao quebra-cabeça, e a peça é sempre a mesma em uma forma nova: diminuir o espaço entre nós. Quanto mais energia e tempo investimos para elevar nossa consciência, mais rápido veremos a mudança no mundo.
Se a cura que eu procuro depende do espaço que eu mantenho aberto com alguém, qual é o nome que me veio à cabeça agora?
Sobre esta página: este é o encerramento da série 30 Dias de Cura. Não corresponde a uma única aula. É uma síntese, escrita por Thiago Moshe, dos ensinamentos que atravessaram os trinta dias. As frases entre aspas são paráfrases, e não transcrições literais.
Ensinamentos referenciados: o estado de oração e os três participantes, conforme Michael Berg em Os Três Segredos da Oração, porção de Va'etchanan · a raiz da doença no desejo da alma de deixar o corpo, conforme Michael Berg · o Zohar, porção de Pinchas, com o Capítulo 68 apresentado por Shimon Sarfati, um professor do Kabbalah Centre · o verso אֵל נָא רְפָא נָא לָהּ em Bamidbar (Números) 12:13 · e ensinamentos de Rav Ashlag sobre a separação como raiz da falta.
Comentários
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