Texto · Redenção

A Trombeta da Redenção

Reflexão do dia, por Billy Phillips, a voz que compartilha a Luz é o som que inicia a redenção.

A Trombeta da Redenção

O Rav Ashlag, que fundou o Kabbalah Centre em 1922, ensinava que uma passagem famosa das Escrituras fala de uma trombeta soando pouco antes do Messias chegar. Um shofar, o chifre de carneiro, seria tocado quando a Redenção Final acontecesse, e o mundo inteiro o ouviria.

Esqueça o significado literal. Nenhuma pessoa na Terra tem fôlego suficiente para soprar um shofar alto o bastante para o mundo inteiro escutar, e o Rav Ashlag ficaria o primeiro consternado se alguém esperasse ver isso transmitido pela CNN. Então o que significa, de fato, que uma trombeta vai acender a paz na Terra e o paraíso?

Um shofar, a trombeta de chifre usada nas tradições, sobre fundo claro

O Zohar Revela um Grande Segredo

Antes de responder, o Zohar oferece uma percepção surpreendente: os israelitas são o coração do único corpo da humanidade, e as outras nações e religiões são os órgãos que compõem esse mesmo corpo.

Israelita. O termo remonta a Yaakov, cujo nome mudou para Israel depois que ele venceu um anjo negativo, uma metáfora para o próprio ego. Yaakov ganhou o título de Israel quando conquistou seu próprio ego. Israel também representa a força da coluna central: livre-arbítrio, resistência.

Resistir ao egoísmo, à estreiteza de mente, ao impulso de julgar os outros e às próprias dúvidas é como nos tornamos um israelita. Cada ato de resistência é uma transformação, e permite que a energia extraordinária que habita a realidade dos 99% flua para o nosso mundo. Não há ego para entupir as artérias espirituais. Assim como o coração bombeia sangue para nutrir os outros órgãos, o israelita bombeia essa energia para o mundo, nutrindo as outras nações. É por isso que o Zohar chama os israelitas de coração da humanidade.

Essa missão foi dada no Monte Sinai. Moshe trouxe uma energia tão brilhante que toda a escuridão, incluindo a morte, foi banida do mundo, e cada nação da Terra vivenciou essa revelação em sua própria língua.

O Criador não exigiu que as nações não israelitas ouvissem a palavra de Deus em hebraico. Qualquer que fosse a língua que falavam, essa era a língua usada para canalizar a energia Divina em suas vidas.

O Perigo Diabólico da Dúvida

Se todos vivenciamos a imortalidade no Sinai, o que aconteceu? Não foi a construção do Bezerro de Ouro que fez Moshe despedaçar as tábuas. Algo se rompeu antes disso, dentro da própria consciência dos israelitas. O bezerro foi apenas o efeito. A verdadeira causa foi uma queda de consciência.

Tudo que era pedido era manter a certeza, mesmo diante de uma dúvida plantada por uma visão tão vívida quanto qualquer realidade: os 600.000 israelitas viram, com os próprios olhos, que Moshe estava morto. Eles já haviam testemunhado o Mar Vermelho se abrir, as dez pragas, a própria liberdade depois de 400 anos de escravidão. Bastava lembrar dos milagres. Não lembraram, e a consciência caiu.

Nossa consciência cria nossa realidade. Ponto final. Ela não apenas influencia a realidade, ela a fabrica até o menor detalhe.

Quando os israelitas perderam a consciência da imortalidade, perderam a imortalidade, não só para si, mas para o mundo. Ali nasceu o retorno da morte, e a ideia de esperar por algum poder externo que venha trazer de volta o Sinai. Esse é o código do Bezerro de Ouro: o mundo externo ao qual entregamos o poder da nossa própria consciência.

O Som da Trombeta

Isso nos traz de volta à pergunta original. O Rav Ashlag é claro: não haverá ar físico soprando por uma trombeta que magicamente traga o Messias. São as palavras do Zohar e da sabedoria da Kabbalah, faladas pelos israelitas a seus vizinhos, que trarão o paraíso. O ar que sopra dos nossos pulmões formando palavras de sabedoria, e levando a atos de bondade, esse é o sopro do shofar.

Perdemos a existência imortal para o mundo inteiro. Agora devemos compartilhar a sabedoria com o resto do mundo para restaurar o que perdemos. O Rav Ashlag também deixa claro que todas as religiões e tradições espirituais permanecerão no mundo do Messias, do mesmo jeito que cada nação vivenciou o Sinai em sua própria língua. A Kabbalah é apenas o sangue que nutre todos os órgãos do corpo. Pertence a todas as pessoas.

Uma célula do coração não quer virar uma célula do rim. Precisamos de cada órgão desempenhando sua própria função, cada um igualmente importante, mesmo servindo a um propósito diferente. Restaurar esse fluxo espiritual nas artérias da humanidade é o nosso papel, e o cumprimos quando largamos as dúvidas e resistimos ao impulso de julgar.

Houve alguém, cerca de 2.000 anos atrás, que tentou reparar essa mesma situação: um kabalista que veio trazer a alma da Torah, a sabedoria do Zohar, às nações do mundo, enquanto o Rabi Shimon e o Rabi Akiva tentavam infundi-la no coração da nação israelita. As pessoas duvidaram dele. E essa dúvida custou sua vida.

Depois de tanto tempo de morte e escuridão, alguém precisa carregar adiante a tocha que o Zohar e o Rav Ashlag acenderam. Essa pessoa somos nós, prontos para trilhar o caminho da Kabbalah. E o nosso nome muda, assim como o de Yaakov mudou, toda vez que resistimos às reações do ego e seguimos a chama. E depende de nós.

Uma leitura livre, inspirada em Billy Phillips, "How the Messiah Will Arrive" (kabbalahstudent.com, 2017) · também publicado como "Como o Messias Chegará"

Reflexão

Onde, esta semana, escolhi a dúvida em vez da certeza, e o que mudaria se eu escolhesse de novo?

Mantra

Minha voz é um instrumento de redenção.

Ação

Hoje compartilhe algo verdadeiro sobre a Kabbalah com pelo menos uma pessoa ao seu redor.

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