O ensinamento de Michael Berg sobre a palavra shofar
e os três momentos que ela carrega dentro de si
Faltam poucas horas. E a ideia que atravessa toda esta aula é simples de dizer e difícil de viver: do jeito que for Rosh Hashaná, assim será o ano inteiro. Michael Berg abre o Zohar em Vayikra, na seção que o Rav fazia questão de estudar todo ano antes de Rosh Hashaná, e depois vai ao conceito central do Ari sobre uma única palavra. Não é uma aula sobre um chifre de carneiro. É uma aula sobre por que a sua conexão do ano passado não foi suficiente, e sobre a única ferramenta capaz de mudar isso.
Michael Berg dá a definição exata das duas palavras, e ela é o mapa da aula inteira. Din significa separação e limitação, aquilo que foi cortado do resto. Chesed v'rachamim, bondade e misericórdia, significa continuidade. O trabalho tem nome kabalístico: Nesirah, cortar fora o julgamento e adoçá-lo. E existe uma única ferramenta capaz de fazer isso.
Michael Berg abre dizendo que, quando estudamos, não estudamos por informação. Estudamos para receber a consciência e a elevação necessárias para maximizar a conexão de Rosh Hashaná.
A frase que ele repete no fim vale como chave de leitura de tudo o que vem antes: independentemente do que você entendeu ou não entendeu, o simples fato de nos reunirmos já elevou e já purificou. Leia esta página assim. Não como informação a guardar, mas como uma preparação que já está acontecendo enquanto você lê.
No Zohar Vayikra, seção 302, Rabi Elazar conta o que via no pai. No ano inteiro, Rabi Shimon bar Yochai aceitava que muitas pessoas conduzissem as orações. Em Rosh Hashaná e em Yom Kipur, não. Quem fosse conduzir, quem fosse tocar o shofar, passava três dias inteiros com ele antes.
Primeiro para garantir a consciência e a compreensão. E depois, ledakale, para ser purificado. Michael Berg faz questão de dizer que isso não é história antiga. É um nível adicional de purificação que só Rabi Shimon bar Yochai pode dar, depois de todo o teshuvá e de todo o trabalho de Elul, e é um presente para quem está conectado a ele.
Seção 308. Banai, la titchalun. Meus filhos, não tenham medo. Michael Berg reconhece que há razão para chegar a Rosh Hashaná com seriedade e reverência, porque vida, saúde, sustento e família serão todos decididos ali.
Mas a instrução do Zohar é outra. Ha'ana kaim al pitcha. Eu estou de pé, esperando por vocês na porta. Não é uma sala de julgamento com um juiz do outro lado. É alguém à sua espera na entrada.
Aqui a aula vira. O Criador não diz "toquem o shofar". Diz izdarzu behayoma v'havu li cheila, apressem-se neste dia e me deem força.
Michael Berg explica o que isso quer dizer com uma frase que desmonta muita coisa: o meu Criador não é o seu Criador. Existe uma só Luz, e essa Luz quer compartilhar sem limite e o tempo todo. O que muda é o recipiente. A quantidade de força que a sua Luz do Criador tem é diferente da minha, porque cada um está num lugar diferente do desenvolvimento espiritual.
O trabalho de Rosh Hashaná, então, não é o toque. É dar força, pela consciência, pelo desejo, pelas orações e pelo toque, para que a Luz do Criador possa remover todo julgamento.
Elokim é o nome que representa a manifestação forte da Luz do Criador. Michael Berg insiste que ele não é um nome negativo. Qualquer negatividade que você tenha vivido este ano não era negatividade: era a luz de Elokim revelada com força num recipiente que não tinha feito a preparação devida, e por isso ela se manifestou como din.
Essa é uma releitura inteira do ano que passou. Não é que algo foi feito contra você. É que a luz chegou grande demais para o recipiente que estava pronto para recebê-la. E o trabalho, portanto, não é pedir menos luz. É preparar o recipiente.
Os kabalistas ensinam que as letras que formam uma palavra são a energia intrínseca daquela palavra. Shofar tem valor numérico 586, e Michael Berg avisa que saber isso, sozinho, não significa nada. O que importa é que a palavra se divide em três: o Shin, 300. O Vav e o Pe, 86. O Reish, 200.
E o som do shofar aparece exatamente três vezes no desenvolvimento humano. No Sinai, onde está escrito b'kol shofar aleihem hofa'ta, e toda a revelação foi uma manifestação da luz do shofar. Em cada Rosh Hashaná. E no tempo de que falam os profetas, v'haya bayom hahu yitaka b'shofar gadol, quando o grande shofar soar.
Elokim por extenso. A primeira vez que a humanidade recebeu as ferramentas e a sabedoria para assumir o controle da própria vida. O potencial da perfeição.
Elokim simples. O meio do processo, uma vez por ano, todo ano. A ponte.
Elokim Beribua, Elokim ao quadrado. Alef, alef-lamed, alef-lamed-hei, crescendo até a revelação completa. O fim da dor, do sofrimento e da morte.
Rabi Moshe Chaim Luzzatto diz que o único jeito de garantir que o nosso Rosh Hashaná transforme todo o julgamento representado por Elokim é amarrá-lo ao fim. O shofar de Rosh Hashaná existe para conectar o Sinai e nos puxar em direção ao Fim da Correção.
Existe uma seção famosa no Talmud, em Yoma, sobre exatamente isso: quando o anjo da morte ouve o toque do shofar, ele fica com medo, bahil v'lo bahil, porque talvez este seja o momento em que toda dor e todo sofrimento sejam removidos e ele deixe de existir.
E então Michael Berg oferece a prova mais desconfortável da aula. Você teve julgamento este ano? Provavelmente sim. Você experimentou a imortalidade este ano? Provavelmente não. Então a conexão do ano passado, seja qual tenha sido, não estava na forma devida.
Está escrito em Beresheet, sobre a criação do primeiro ser humano, vayipach b'apav nishmat chayim: havia um corpo, e o Criador soprou dentro dele a alma da vida.
Michael Berg aponta uma coisa que passa despercebida. O shofar é a única ferramenta espiritual em que investimos o nosso próprio sopro. Todas as outras usam as mãos, o corpo, a voz. E a razão é que o que está realmente acontecendo não é você despertando uma conexão. É o Criador soprando dentro de você uma vida nova.
Por isso, diz ele, tem que haver um elemento de morte do eu anterior para receber esse sopro. E não é coincidência que o Shabat antes de Rosh Hashaná seja aquele em que Moshe deixa este mundo.
Rav Ashlag chama isso de Arvut. A pergunta que mede tudo não é quanto você estudou, e sim o quanto o seu círculo cresceu. De quantas pessoas os seus pensamentos, desejos e ações passaram a tratar neste ano?
✦ Esta página é uma síntese da aula de Michael Berg em preparação para Rosh Hashaná 5787, sobre o Zohar Vayikra 302, 308 e 312 e o ensinamento do Ari sobre a palavra shofar. As palavras são dele. A organização é minha. Síntese e adaptação por Thiago Moshe · Insights Kabalísticos.
O Zohar diz que Rosh Hashaná é o único dia em que você precisa estar com um grupo, porque a consciência coletiva eleva todo mundo. Entre no grupo e receba cada estudo.
Entrar no grupo