Insights Kabalísticos por Thiago Moshe
שׁוֹפָר
Rosh Hashaná · Mês de Tishrei

O Segredo do Shofar

O ensinamento de Michael Berg sobre a palavra shofar
e os três momentos que ela carrega dentro de si

ROSH HASHANÁ · 11 a 13 de setembro de 2026 · 5787

Faltam poucas horas. E a ideia que atravessa toda esta aula é simples de dizer e difícil de viver: do jeito que for Rosh Hashaná, assim será o ano inteiro. Michael Berg abre o Zohar em Vayikra, na seção que o Rav fazia questão de estudar todo ano antes de Rosh Hashaná, e depois vai ao conceito central do Ari sobre uma única palavra. Não é uma aula sobre um chifre de carneiro. É uma aula sobre por que a sua conexão do ano passado não foi suficiente, e sobre a única ferramenta capaz de mudar isso.

O movimento desta aula

De uma palavra para a outra

דִּין
Din
julgamento · o que está cortado
רַחֲמִים
Rachamim
misericórdia · o que tem continuidade
O shofar é a travessia · não um som, uma passagem entre as duas palavras

Michael Berg dá a definição exata das duas palavras, e ela é o mapa da aula inteira. Din significa separação e limitação, aquilo que foi cortado do resto. Chesed v'rachamim, bondade e misericórdia, significa continuidade. O trabalho tem nome kabalístico: Nesirah, cortar fora o julgamento e adoçá-lo. E existe uma única ferramenta capaz de fazer isso.

Oito insights · Rosh Hashaná 5787
01

Ninguém veio aqui para aprender alguma coisa

Michael Berg abre dizendo que, quando estudamos, não estudamos por informação. Estudamos para receber a consciência e a elevação necessárias para maximizar a conexão de Rosh Hashaná.

A frase que ele repete no fim vale como chave de leitura de tudo o que vem antes: independentemente do que você entendeu ou não entendeu, o simples fato de nos reunirmos já elevou e já purificou. Leia esta página assim. Não como informação a guardar, mas como uma preparação que já está acontecendo enquanto você lê.

"Não nos reunimos para ganhar informação. Viemos fazer uma conexão juntos." Michael Berg
02

Rabi Shimon bar Yochai passava três dias com quem ia tocar

No Zohar Vayikra, seção 302, Rabi Elazar conta o que via no pai. No ano inteiro, Rabi Shimon bar Yochai aceitava que muitas pessoas conduzissem as orações. Em Rosh Hashaná e em Yom Kipur, não. Quem fosse conduzir, quem fosse tocar o shofar, passava três dias inteiros com ele antes.

Primeiro para garantir a consciência e a compreensão. E depois, ledakale, para ser purificado. Michael Berg faz questão de dizer que isso não é história antiga. É um nível adicional de purificação que só Rabi Shimon bar Yochai pode dar, depois de todo o teshuvá e de todo o trabalho de Elul, e é um presente para quem está conectado a ele.

"Não é só o nosso grupo que tem uma conexão pura. O mundo inteiro será purificado." Zohar Vayikra 302
03

O Criador está esperando na porta

Seção 308. Banai, la titchalun. Meus filhos, não tenham medo. Michael Berg reconhece que há razão para chegar a Rosh Hashaná com seriedade e reverência, porque vida, saúde, sustento e família serão todos decididos ali.

Mas a instrução do Zohar é outra. Ha'ana kaim al pitcha. Eu estou de pé, esperando por vocês na porta. Não é uma sala de julgamento com um juiz do outro lado. É alguém à sua espera na entrada.

04

Havu li cheila. Me deem força

Aqui a aula vira. O Criador não diz "toquem o shofar". Diz izdarzu behayoma v'havu li cheila, apressem-se neste dia e me deem força.

Michael Berg explica o que isso quer dizer com uma frase que desmonta muita coisa: o meu Criador não é o seu Criador. Existe uma só Luz, e essa Luz quer compartilhar sem limite e o tempo todo. O que muda é o recipiente. A quantidade de força que a sua Luz do Criador tem é diferente da minha, porque cada um está num lugar diferente do desenvolvimento espiritual.

O trabalho de Rosh Hashaná, então, não é o toque. É dar força, pela consciência, pelo desejo, pelas orações e pelo toque, para que a Luz do Criador possa remover todo julgamento.

"Nunca há limite para quanta Luz o Criador quer dar. Tudo tem a ver com o recipiente." Michael Berg
05

Julgamento é luz demais para um recipiente despreparado

Elokim é o nome que representa a manifestação forte da Luz do Criador. Michael Berg insiste que ele não é um nome negativo. Qualquer negatividade que você tenha vivido este ano não era negatividade: era a luz de Elokim revelada com força num recipiente que não tinha feito a preparação devida, e por isso ela se manifestou como din.

Essa é uma releitura inteira do ano que passou. Não é que algo foi feito contra você. É que a luz chegou grande demais para o recipiente que estava pronto para recebê-la. E o trabalho, portanto, não é pedir menos luz. É preparar o recipiente.

06

A palavra shofar carrega a história inteira

Os kabalistas ensinam que as letras que formam uma palavra são a energia intrínseca daquela palavra. Shofar tem valor numérico 586, e Michael Berg avisa que saber isso, sozinho, não significa nada. O que importa é que a palavra se divide em três: o Shin, 300. O Vav e o Pe, 86. O Reish, 200.

E o som do shofar aparece exatamente três vezes no desenvolvimento humano. No Sinai, onde está escrito b'kol shofar aleihem hofa'ta, e toda a revelação foi uma manifestação da luz do shofar. Em cada Rosh Hashaná. E no tempo de que falam os profetas, v'haya bayom hahu yitaka b'shofar gadol, quando o grande shofar soar.

ש 300 · Sinai

Elokim por extenso. A primeira vez que a humanidade recebeu as ferramentas e a sabedoria para assumir o controle da própria vida. O potencial da perfeição.

ו פ 86 · Rosh Hashaná

Elokim simples. O meio do processo, uma vez por ano, todo ano. A ponte.

ר 200 · Gmar Tikkun

Elokim Beribua, Elokim ao quadrado. Alef, alef-lamed, alef-lamed-hei, crescendo até a revelação completa. O fim da dor, do sofrimento e da morte.

07

Sem o Reish, Rosh Hashaná fica no estado embrionário

Rabi Moshe Chaim Luzzatto diz que o único jeito de garantir que o nosso Rosh Hashaná transforme todo o julgamento representado por Elokim é amarrá-lo ao fim. O shofar de Rosh Hashaná existe para conectar o Sinai e nos puxar em direção ao Fim da Correção.

Existe uma seção famosa no Talmud, em Yoma, sobre exatamente isso: quando o anjo da morte ouve o toque do shofar, ele fica com medo, bahil v'lo bahil, porque talvez este seja o momento em que toda dor e todo sofrimento sejam removidos e ele deixe de existir.

E então Michael Berg oferece a prova mais desconfortável da aula. Você teve julgamento este ano? Provavelmente sim. Você experimentou a imortalidade este ano? Provavelmente não. Então a conexão do ano passado, seja qual tenha sido, não estava na forma devida.

"Nós estamos atraindo do futuro para o Rosh Hashaná." Michael Berg
08

Os kabalistas respondem: o Criador está tocando

Está escrito em Beresheet, sobre a criação do primeiro ser humano, vayipach b'apav nishmat chayim: havia um corpo, e o Criador soprou dentro dele a alma da vida.

Michael Berg aponta uma coisa que passa despercebida. O shofar é a única ferramenta espiritual em que investimos o nosso próprio sopro. Todas as outras usam as mãos, o corpo, a voz. E a razão é que o que está realmente acontecendo não é você despertando uma conexão. É o Criador soprando dentro de você uma vida nova.

Por isso, diz ele, tem que haver um elemento de morte do eu anterior para receber esse sopro. E não é coincidência que o Shabat antes de Rosh Hashaná seja aquele em que Moshe deixa este mundo.

"O que aconteceu na primeira criação acontece todo Rosh Hashaná." Michael Berg
A prática

Seis movimentos para atravessar estes dias

1
Peça a purificação. Antes de entrar, peça conscientemente o ledakale de Rabi Shimon bar Yochai. Michael Berg diz que ela vem por estar conectado a ele, e que o próprio estudo já é essa revelação.
2
Chegue sem medo. Com seriedade, sim. Com reverência, sim. Mas a imagem que você leva para dentro é a da porta, e de alguém de pé, esperando.
3
No toque, medite nas três partes. Shin, o Sinai e o potencial completo. Vav e Pe, este Rosh Hashaná, a ponte. Reish, a revelação que continua crescendo até o fim. Não pare no meio.
הוֹלֵךְ וָאוֹר עַד נְכוֹן הַיּוֹם Holech va'or ad nechon hayom · a luz segue brilhando até que o dia esteja pronto
4
Amarre ao fim. O desejo, dito com todas as letras: que a minha conexão com este nome esteja amarrada ao mundo do Gmar Tikkun, e não apenas a mais um ano.
5
Receba o sopro. Enquanto o som atravessa você, a meditação não é que você está tocando. É que o Criador está soprando dentro de você uma vida nova.
6
Guarde os sete dias. O Ari ensina que cada um dos sete dias entre Rosh Hashaná e Yom Kipur encapsula todos os outros. Cada domingo desses sete corrige todo domingo do ano que passou e prepara todo domingo do ano que vem. Sejam os sete dias mais conectados e mais felizes que você conseguir.

Rav Ashlag chama isso de Arvut. A pergunta que mede tudo não é quanto você estudou, e sim o quanto o seu círculo cresceu. De quantas pessoas os seus pensamentos, desejos e ações passaram a tratar neste ano?

✦ Esta página é uma síntese da aula de Michael Berg em preparação para Rosh Hashaná 5787, sobre o Zohar Vayikra 302, 308 e 312 e o ensinamento do Ari sobre a palavra shofar. As palavras são dele. A organização é minha. Síntese e adaptação por Thiago Moshe · Insights Kabalísticos.

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Com amor e Luz,
Thiago Moshe