Insights Kabalísticospor Thiago Moshe
גִּילוּ בִּרְעָדָה
Rosh Hashaná 5787 · Boas-vindas 01

Crie-se de Novo

Michael Berg sobre alegria, esforço e a parceria com o Criador

AO VIVO DE NOVA YORK · 11 de setembro de 2026 · 5787

Na abertura de Rosh Hashaná 5787, Michael Berg pede que cada pessoa entre nas próximas 48 horas com duas consciências ao mesmo tempo: a seriedade de um momento que define o ano e a alegria que chama suas bênçãos. O Criador oferece ajuda infinita, mas nos convida a participar da criação de quem vamos nos tornar.

A consciência da abertura

Alegria dentro da reverência

רְעָדָה
Re'adah
reverência
גִּילוּ
Gilu
alegrem-se

Michael Berg chama essa união de gilu bir'ada. Estes dias têm peso, mas a resposta não é ficar paralisado. Cantar, dançar e despertar alegria fazem parte do trabalho porque são forças que atraem as bênçãos do novo ano.

Oito insights · criar-se de novo
01

A conexão é coletiva

Michael Berg começa reconhecendo quem atravessou o mundo para estar ali. Ele próprio diz que multidões não são sua preferência, mas escolhe passar Rosh Hashaná com o maior grupo possível da comunidade. A presença de cada pessoa amplia o trabalho das demais. Ninguém chega apenas para receber uma experiência privada.

Essa consciência muda a pergunta com que entramos na conexão. Em vez de pensar somente no ano que desejamos para nós, podemos perceber que nossa alegria, atenção e esforço também sustentam a família, os amigos e pessoas que talvez nunca encontremos. O coletivo não é o cenário da transformação. É parte do Recipiente que a torna possível.

02

A seriedade precisa de alegria

Rosh Hashaná pede reverência porque o trabalho desses dois dias alcança o ano inteiro. Essa importância pode gerar presença, mas também pode produzir tensão, medo de errar ou rigidez. Michael Berg apresenta gilu bir'ada como o equilíbrio necessário: alegria dentro da reverência.

A alegria não diminui a seriedade. Ela impede que a seriedade feche o Recipiente. Quando entramos no trabalho com entusiasmo, lembramos que transformação não é apenas examinar o que precisa mudar. Também é confiar que existe Luz disponível para criar algo novo. A doçura que pedimos para o ano começa na qualidade de consciência que despertamos agora.

03

Cantar e dançar são parte do trabalho

Michael Berg admite que dançar não é algo natural para ele. Mesmo assim, ele dança e canta em Rosh Hashaná porque entende a alegria como uma ação consciente. O valor da prática não depende de gosto, talento ou espontaneidade. Está na disposição de despertar uma força que talvez ainda não esteja sendo sentida.

O corpo pode ensinar a consciência. Uma pessoa pode chegar cansada, preocupada ou distante e ainda escolher levantar, cantar e participar. Nesse movimento, a intenção deixa de ser somente uma ideia. Ela encontra voz, respiração e presença. A alegria se transforma em trabalho espiritual quando não espera o estado ideal para começar.

04

O Criador propõe uma parceria

Ao falar da criação, Michael Berg observa uma mudança na linguagem de Beresheet. Para a luz, os mares e a vegetação, o Criador ordena e a criação acontece. Quando chega o momento do ser humano, aparece Na'aseh Adam: façamos uma pessoa. O plural revela uma parceria que não foi exigida nas etapas anteriores.

Em Rosh Hashaná, esse convite se torna pessoal. O Criador não promete fabricar uma nova versão de nós enquanto permanecemos iguais. Ele oferece assistência para uma criação conjunta. A pergunta deixa de ser “O que o Criador fará por mim?” e passa a incluir “O que estou disposto a criar com Ele?”

05

Nosso um por cento pede 110%

Michael Berg descreve dois movimentos. It'aruta dil'eila é o despertar do Alto, a assistência que vem da Luz do Criador. It'aruta diltata é o despertar de baixo, a resposta humana que torna a parceria real. Não controlamos os 99% que vêm da Luz, mas somos responsáveis pela inteireza do nosso 1%.

Dar 110% não significa controlar o resultado nem exigir perfeição. Significa parar de negociar com aquilo que já sabemos que podemos oferecer. Pode ser mais presença na oração, mais entrega na dança, uma conversa que evitamos ou um gesto de compartilhar. O tamanho da ação varia. A honestidade da entrega é o que não pode ser reduzido.

06

Em Rosh Hashaná, não há periferia

Em muitos grupos, as pessoas mais entusiasmadas acabam no centro, enquanto outras assistem de uma distância segura. Michael Berg recusa essa divisão durante Rosh Hashaná. Se a conexão é coletiva, não existe uma borda espiritual reservada a quem prefere participar pela metade.

O Oponente pode transformar timidez, cansaço ou comparação em justificativas para a ausência. Entrar por inteiro, porém, não exige copiar a expressão de outra pessoa. Alguém pode cantar, outro pode apoiar, escutar ou oferecer presença. A forma é individual, mas a responsabilidade é comum: descobrir como o nosso 1% pode deixar de ser espectador.

07

Peça força para dar aos outros

Ao pensar no costume de abraçar as pessoas no Kabbalah Centre, Michael Berg reformula sua oração. Ele não sabe de antemão o que cada pessoa precisará, então pede ao Criador amor para abraçar, sabedoria para orientar, alegria para despertar e força para sustentar quem estiver ao redor.

Essa oração não exclui nossas necessidades. Ela amplia a razão pela qual desejamos receber. Pedimos mais Luz para que mais Luz possa circular por nosso intermédio. Em vez de terminar em nós, a bênção encontra continuidade. O teste da conexão passa a ser simples: aquilo que recebo aumenta minha capacidade de compartilhar?

08

O novo eu nasce em relação

Michael Berg encerra reunindo três consciências: investir 110%, criar em parceria com o Criador e pedir a força necessária para servir ao coletivo. Nenhuma delas funciona isoladamente. Esforço sem parceria vira controle. Espiritualidade sem esforço vira espera. Receber sem compartilhar interrompe o fluxo.

Criar-se de novo significa mudar a maneira como participamos das relações. O novo eu aparece quando oferecemos mais presença, quando a alegria de outra pessoa também importa e quando nossa transformação alcança família, amigos e comunidade. Rosh Hashaná abre a possibilidade, mas somos nós que damos corpo a ela.

A prática · entrar por inteiro

Dê forma aos seus 110%

1
Reconheça o peso do momento. Nomeie o que você deseja criar neste ano e por que isso importa para a sua alma. Não comece pela solução. Comece pela verdade do desejo.
2
Desperte alegria no corpo. Cante, dance, caminhe ou respire com intenção. Observe o que acontece quando você para de esperar pela alegria e oferece ao corpo uma forma de começar.
3
Defina o seu 1%. Escolha uma situação em que você tem ficado na periferia. Escreva uma ação possível, específica e honesta que represente seus 110%.
4
Abra espaço para a parceria. Depois de reconhecer sua parte, entregue o resultado. Peça assistência para criar algo maior do que aquilo que seu esforço poderia produzir sozinho.
5
Peça capacidade para compartilhar. Pense em uma pessoa concreta. Pergunte de que amor, apoio, presença ou sabedoria ela pode precisar e peça força para se tornar um canal disso.
6
Dê corpo à intenção. Faça a ação nas próximas 24 horas. O novo eu começa a existir quando uma consciência nova encontra uma escolha nova.

Qual é a forma mais inteira de eu participar desta criação?

Fonte: palestra de boas-vindas de Michael Berg em Rosh Hashaná 5787, transmitida ao vivo de Nova York pelo Kabbalah Centre em 11 de setembro de 2026. Síntese em voz própria de Thiago Moshe, feita a partir da transcrição original em inglês e dos subtítulos aprovados em português brasileiro. Esta página não é uma transcrição.

A expressão hebraica gilu bir'ada aparece na palestra e foi conferida em Salmos 2:11. As formas hebraicas exibidas no centro são os dois termos dessa expressão.

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Com amor e Luz,
Thiago Moshe