O ensinamento de Michael Berg sobre a única consciência
que o mundo esqueceu antes do dilúvio
Esta página é uma síntese da aula de Michael Berg sobre a porção Noach. Como ele ensinou, a história do dilúvio não trata de um passado distante. Trata do que acontece, hoje, em nós e no mundo, quando esquecemos uma só consciência: tudo vem da Luz do Criador.
Michael Berg ensina dois passos que são um só movimento. Primeiro, hitbatlut: lembrar que não posso fazer nada sem a Luz do Criador e me anular diante Dela. Depois, tzipiyah: esperar, com os olhos abertos, a revelação de uma Luz nova.
Feito uma vez por ano, é quase inútil. Feito cem vezes por dia, é o que muda uma vida.
Michael Berg abre a aula dizendo que estas primeiras porções do ano são muito significativas. Depois de Beresheet, a gente chega a Noach e encontra tanta Luz, tantos segredos, tanta consciência, que dá vontade de ficar várias semanas com cada uma.
Esta porção fala de um momento em que o mundo inteiro foi destruído. Mas, como ensinam os kabalistas e como o Zohar deixa claro, o propósito da Torah nunca é nos dar lições históricas. É mostrar, a mim e a você, todos os dias, qual consciência nos mantém em conexão constante e completa com a Luz do Criador.
Por isso, quando lemos uma história de destruição, o que o Criador quer nos entregar é o segredo do oposto: a construção, a conexão, somente Luz e bênçãos.
A pergunta de Michael Berg é direta: o que fez o mundo, milhares de anos atrás, chegar a um estado tão baixo de conexão com a Luz do Criador que a destruição foi despertada?
A resposta vale também para a vida de cada um. A mesma causa que leva o mundo inteiro à destruição leva à destruição de um indivíduo. Quando vivemos, às vezes, algum nível de dor ou de escuridão, a causa é a mesma.
Segundo ele, a Kabbalah responde com algo muito simples, e provavelmente uma das lições mais poderosas que existem.
Os kabalistas ensinam que, durante gerações, existiu Adão, que tinha consciência. Depois vieram dez gerações, e a consciência decaiu. Elas esqueceram uma coisa: toda a vida, cada ação, cada manifestação verdadeira é uma só coisa, a Luz do Criador. Então o ego entra.
A única forma de criar, de se conectar com a Luz e de ter milagres é hitbatlut: anular-se diante da força da Luz do Criador. A pessoa acorda de manhã e diz: não consigo trabalhar, rezar, ser amiga, ser pai ou mãe, não consigo ser nada. Somente a Luz do Criador pode.
Michael lembra que Adão sabia disso e, por isso, viveu quase mil anos. É uma consciência que se vive o dia inteiro, e não uma ideia bonita para guardar.
Michael Berg conta que, preparando-se para este Shabat, ficou muito claro para ele que o elemento mais importante não é ouvir, aprender ou receber sabedoria. A pergunta tem de ser: quanto estou usando essa sabedoria, diariamente, constantemente?
Este segredo é quase inútil se for usado uma vez por ano, por mês, por semana, ou até uma vez por dia. Para a Luz dele brilhar com todo o poder, a medida é cem vezes por dia. Ou ele muda a sua vida e traz milagres, ou é algo que você ouve, acha bonito e segue em frente.
Durante as dez gerações, mesmo ouvindo a lição, ela foi se tornando menos real. Deixaram de usá-la como ferramenta, como meditação ao longo do dia. E, na geração do dilúvio, a porção descreve que o fim de toda carne havia chegado: não restava mais vida, Luz nem força vital, nem em cada pessoa, nem na humanidade inteira.
Michael resume: a destruição é quando o indivíduo, ou o coletivo, deixa de viver com uma consciência constante de hitbatlut. A pergunta nunca foi se eles sabiam. Todos nós talvez saibamos. A pergunta é se estamos usando.
Tudo depende de mim. A Luz não é renovada, e a vida vai secando por dentro.
Eu me anulo, e a Luz do Criador flui sem fim, trazendo milagres e força vital renovada.
Quando, ao contrário, vivemos com hitbatlut, lembrando-nos o tempo todo de nos anular diante da Luz do Criador, a Luz flui sem fim, e uma renovação de Luz é atraída para tudo.
Michael Berg trouxe uma seção do Zohar de que gosta muito. O Zohar pergunta: quem entre vocês tem o poder de transformar escuridão em Luz, e de provar como doçura o que os outros provam como amargura? E responde: quem espera, todos os dias, que a Luz do Criador brilhe.
Esperar, aqui, não é ter se preparado bem. Quando Michael vai compartilhar sabedoria com a comunidade, a consciência não é “eu me preparei”, e sim saber que não consegue abrir a boca, nem para dizer uma letra, sem a Luz. Depois de se anular, ele espera a revelação de uma Luz nova e de novos milagres. Sem hitbatlut, não se consegue esperar.
Os kabalistas ensinam também que, quando a pessoa deixa este mundo, a alma recebe perguntas. Uma delas é tzipita liyeshua: você esperava a redenção? No sentido literal, é esperar o Gmar HaTikun, o Fim da Correção, quando a dor, o sofrimento e a morte serão removidos do mundo. Michael ensina que a pergunta vai mais fundo: você usou esta ferramenta?
São dois passos: primeiro, hitbatlut, anular-se diante da Luz do Criador. Segundo, dizer a Ela: agora que sei que nada posso sozinho, espero que Sua Luz se revele. Feitos cem vezes por dia, ele garante, pela prática, que você vai ver pelaot, milagres vindos da Luz do Criador.
Michael Berg aprofunda com um ensinamento que Rav Ashlag cita com frequência: cada folha de grama que cresce tem um anjo acima dela que manda que cresça. Tudo o que existe neste mundo tem anjos encarregados de garantir o seu crescimento.
Mas esse anjo não é uma força separada. Cada ser humano é como um triângulo invertido: existe o pequeno homem ou a pequena mulher aqui, por maior que seja, e existe a realidade ilimitada de quem somos no Mundo Superior. O anjo que nos empurra a crescer somos nós mesmos, o nosso eu verdadeiro, que não está satisfeito com a forma como nos manifestamos hoje.
Toda decepção, aborrecimento ou escuridão, grande ou pequena, é apenas um efeito desse você verdadeiro empurrando você a crescer. Por isso, além de se anular diante da Luz, Michael propõe um segundo bitul: anular-se diante do seu verdadeiro eu, para permitir um fluxo ainda maior da sua verdadeira Luz no seu ser atual.
O terceiro bitul é diante da comunidade. Os kabalistas ensinam que klal Yisrael, a comunidade, tem muito mais Luz do que o indivíduo. Quando venho me conectar com um grupo despertado por um mesmo desejo, eu me anulo, a minha manifestação individual, dentro dele, e recebo muito mais Luz.
Seja pela transmissão online, seja fisicamente, seja em qualquer centro, é preciso se colocar ativamente dentro da comunidade para receber mais Luz do que se consegue despertar sozinho.
Quantas vezes, hoje, vivi como se eu mesmo fosse a fonte de tudo o que faço?
Aula original: Michael Berg, porção Noach, 17 de outubro de 2026, Kabbalah Centre, disponível em kabbalah.com. Esta página é uma síntese em voz própria de Thiago Moshe, não uma transcrição. As frases entre aspas são paráfrases das falas da aula, não citações literais.
Fontes citadas na aula: a porção Noach, na passagem sobre o fim de toda carne · uma seção do Zohar sobre transformar escuridão em Luz e amargura em doçura · o ensinamento, citado com frequência por Rav Ashlag, sobre o anjo de cada folha de grama · o ensinamento kabalístico sobre as perguntas feitas à alma, entre elas tzipita liyeshua. As localizações exatas não foram ditas na aula e não foram verificadas nesta síntese; merecem conferência antes de qualquer uso adicional.
Toda semana eu envio os destaques da porção, a prática e os links das aulas. Sem barulho, uma mensagem por semana.
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