O dia mais poderoso do ano,
e o mês que transforma o amargo em doce
Chodesh Tov, queridos amigos. Este é o mês de Cheshvan, o mês do Bul, o mês de Escorpião. Ele não tem festividades bíblicas, e por isso mesmo é o mês em que o trabalho é todo seu: revelar Luz sem esperar uma data especial para isso.
A janela desta lua nova
de domingo, 11 de outubro, às 9:43
até terça-feira, 13 de outubro, às 9:43horário de Jerusalém
Os kabalistas chamam este mês de Mar Cheshvan, o Cheshvan amargo. Mas o Kabbalah Centre ensina que ele pode se tornar Ram Cheshvan, o Cheshvan elevado. A amargura e a elevação são feitas do mesmo material. O que muda é o que fazemos com ele.
Rosh Chodesh Cheshvan tem dois dias. Rav Berg ensina que, de acordo com o Zohar, o primeiro desses dois dias é o dia de maior energia e inteligência de todo o ano. Não existe um único dia mais poderoso.
O Zohar também chama este mês de Bul e diz que o seu primeiro dia é um dia de segurança singular. Isso importa: quando o dia é seguro, você não precisa começar com medo. Pode começar.
Karen Berg escreve, de forma independente, que o primeiro dia de Escorpião é considerado o dia mais poderoso de todo o ano.
E por ser o dia mais forte, é também o mais apropriado de todo o ano para começar coisas novas. Um projeto, uma conversa, uma mudança de hábito, uma intenção que você vem adiando.
Fontes: Rav Berg, vídeo "New Moon of Scorpio"; Karen Berg, Os Ventos da Mudança (publicado originalmente em 2018).
Rav Berg não pede nada difícil. Ele diz que os métodos são simples e que o dia é positividade. Tudo o que é necessário é que você se conecte com ele. Só isso. Nada mais.
Fazemos essa conexão com o cosmos por meio de duas letras: a Dalet, de Marte, e a Nun, de Escorpião. Dedique alguns minutos a meditar nessas duas letras, e deixe que elas sejam a ponte entre você e o dia.
Fonte: Rav Berg, vídeo "New Moon of Scorpio".
Karen Berg lembra que cada lua nova é um recomeço: um novo ciclo, uma nova perspectiva e novas oportunidades de crescimento. O Kabbalah Centre define Rosh Chodesh como uma janela e como uma semente que contém o DNA do mês inteiro.
Se o mês anterior foi um tempo de ganhar consciência, de perceber e decidir em pensamento, Escorpião é o mês de colocar essa intenção em prática. Karen Berg liga essa energia a Marte e propõe enxergá-la como um confronto positivo.
Por isso a intenção que você define hoje conta tanto. Ela é a semente. O resto do mês é a rega.
Fontes: Karen Berg, Os Ventos da Mudança (publicado originalmente em 2018); Kabbalah Centre, New Moon/Rosh Chodesh (glossário).
Karen Berg explica o princípio por trás da transformação deste mês, a polaridade: onde existe potencial para a escuridão, existe um potencial igual para a Luz. Por isso Cheshvan, o mês de maior amargura possível, é também o de maior potencial para a doçura.
O trabalho do mês, nas palavras do Kabbalah Centre, é transformar o que é amargo em doce e o que é baixo em elevado. Escorpião é um signo da coluna da esquerda, de água e regido por Marte. Intensidade e emoção são o seu material de trabalho. O tikkun é aprender a dominar o impulso de se vingar e a deixar ir.
Quem me magoou me deve. O passado tem a última palavra. Preciso controlar, me defender, retribuir.
Isso também é matéria-prima. Posso soltar, perdoar, escolher o que fazer agora. O passado informa, mas não decide.
Fontes: Kabbalah Centre, Scorpio (Mar-Cheshvan), 2012; Karen Berg, Transformando o Amargo em Doce (publicado originalmente em 2019).
Karen Berg usa duas imagens para este mês. A primeira é a natureza: as folhas que caem no outono não são uma perda, são um soltar necessário para que a vida nova possa chegar. O que você precisa deixar cair para abrir espaço?
A segunda é o Dilúvio, que começou no dia 17 de Cheshvan. Ela convida a ler o Dilúvio não só como destruição, mas como purificação e bênção. E aponta uma pista na própria palavra: tov, "bom", tem valor numérico 17. O dia em que as águas começaram é, numericamente, o dia do bom. Em 2026, o dia 17 de Cheshvan cai em 28 de outubro.
Karen Berg compara ainda os desafios da vida ao líquido amniótico que protege e alimenta o bebê no ventre. O que parece pressão pode estar, na verdade, nutrindo algo que ainda não nasceu.
Fonte: Karen Berg, Os Ventos da Mudança (publicado originalmente em 2018).
O símbolo tradicional de Escorpião é o escorpião. Karen Berg lembra que o signo também é associado à águia, símbolo de verdade, liberdade e força. A mesma energia pode picar ou voar.
Em desequilíbrio, essa energia aparece como ciúme, ressentimento e medo. Transformada, torna-se criatividade, carisma e percepção. Para quem convive com alguém muito marcado por Escorpião, o conselho de Karen Berg é falar com franqueza, porque essa energia não suporta a falsidade e valoriza a verdade.
Ela liga isso ao ensinamento de Hillel: não faça aos outros o que é odioso para você. Talvez não amemos todas as pessoas, porque somos diferentes em cultura e crença. Mas cada pessoa carrega uma faísca do Criador e merece respeito. E o que damos tende a voltar.
Fonte: Karen Berg, Transformando o Amargo em Doce (publicado originalmente em 2019).
A Nun é a letra de Escorpião, a mesma que Rav Berg pediu para meditarmos. O Talmud fala dela como a letra que cai: no Ashrei (Salmo 145), falta o verso que começaria com a Nun, associado à queda (Amós 5:2). O verso seguinte começa com o Samech, e o Talmud ensina que Davidd sustentou a Nun caída com esse verso.
O Zohar, na Introdução, retoma a imagem: o Samech volta para sustentar a que caiu, e a Nun é chamada a voltar ao seu lugar porque o Samech a sustenta.
Na tradição hassídica, a soma de Nun (50) com Samech (60) é 110, o valor de Nes, "milagre". Essa leitura vem de Bnei Yissachar, um clássico, e o Kabbalah Centre também ensina o Samech que sustenta a Nun e a palavra Nes em seu artigo de Kislev (Sagitário). Ela combina com o mês: a queda sustentada vira milagre. Essa aplicação ao mês é interpretação desta página.
A pergunta que fica: quem ou o que é o seu Samech neste mês?
Fontes: Berachot 4b; Zohar, Introdução; Bnei Yissachar, Cheshvan (clássico); Kabbalah Centre, Sagittarius (Kislev), 2012.
Cheshvan tem poucos dias especiais de conexão além de Rosh Chodesh, e alguém poderia concluir que este é um mês de pouca Luz. Michael Berg diz que essa conclusão é um engano: Escorpião é o mês em que cada pessoa pode revelar mais Luz do que em qualquer outro, e transformar o mundo uma ação de cada vez.
Ele se apoia em um ensinamento de Rav Ashlag, sobre Rav Elazar: o mundo e cada pessoa estão em equilíbrio entre o positivo e o negativo, e cada ação desloca essa balança. Para ilustrar, Michael Berg usa a imagem de grãos de gergelim que, um a um, acabam inclinando o prato.
Compartilhar já é valioso. Mas partilhar de forma pura, sem nenhum benefício pessoal, tem um efeito maior sobre a consciência coletiva. O propósito da Kabbalah, nessa visão, é mudar o mundo fazendo as pessoas se importarem mais com os outros do que consigo mesmas.
O artigo do Kabbalah Centre sobre Escorpião lembra uma frase de Rav Berg: a guerra contra a escuridão não se vence com armas e artilharia, mas acendendo o maior número possível de velas.
E Michael Berg conta que a lição que aprendeu com Rav Berg foi esta: o resultado será positivo. Quando foi a última vez que você fez um ato de partilha puro? Hoje é um bom dia para recomeçar essa conta.
Fontes: Michael Berg, Trazendo a Mudança Global, Uma Ação por Vez; Kabbalah Centre, Scorpio (Mar-Cheshvan), 2012 (a frase de Rav Berg sobre as velas); Michael Berg, The Outcome Will Be Positive (publicado originalmente em 2020).
| 11 e 12 de outubro | Rosh Chodesh Cheshvan, dois dias. O primeiro é o dia a que Rav Berg se refere. |
| 22 de outubro | 11 de Cheshvan. A tradição registra esta data como a do falecimento de Rachel. |
| 23 de outubro | O Sol entra em Escorpião no zodíaco. |
| 28 de outubro | 17 de Cheshvan, o dia em que o Dilúvio começou (Gênesis 7:11). |
| 10 e 11 de novembro | Rosh Chodesh Kislev, dois dias. |
Se esta amargura pudesse virar elevação, o que ela me ensinaria?
No vídeo, Rav Berg diz que sabemos fazer conexões com o cosmos por meio da Dalet de Marte e da Nun de Escorpião. Medite nessas duas letras ao longo do mês. Imprima-as, deixe-as à vista, leve-as com você.
A Nun representa a queda (nefilah) e o milagre (nes), dois extremos da mesma energia: cair e levantar, morrer para o velho e renascer para o novo. A Dalet simboliza a porta, a passagem do julgamento para a misericórdia, do ego para a doação; vem de dal, "pobre", o estado de quem se esvazia para receber a Luz.
Fontes: o vídeo "New Moon of Scorpio", de Rav Berg (com legendas em português e inglês); Karen Berg, Os Ventos da Mudança (publicado originalmente em 2018) e Transformando o Amargo em Doce (publicado originalmente em 2019); Michael Berg, Trazendo a Mudança Global, Uma Ação por Vez; Kabbalah Centre, Scorpio (Mar-Cheshvan), 2012, e o glossário New Moon/Rosh Chodesh. Esta página é uma síntese em voz própria de Thiago Moshe, não uma transcrição. As frases entre aspas são citações literais, do vídeo (segundo as legendas) e do artigo de Michael Berg; todo o resto é paráfrase.
Fontes textuais clássicas: Berachot 4b e o Zohar, Introdução (a Nun e o Samech); Gênesis 7:11 (o Dilúvio). A soma de Nes é leitura de Bnei Yissachar, um clássico hassídico, também ensinada no artigo de Kislev do Kabbalah Centre. A data de Rachel é uma tradição recebida.
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