Tzimtzum, Shevirat HaKelim e Tikkun. A coragem leonina de Rav Isaac Luria e a fórmula do conserto do mundo, um portal de Luz aberto por 24 horas.
5 de Av · janela de 24h, do pôr do sol de véspera ao pôr do sol seguinte
◆ Todos os insights foram tirados de estudos, palestras e artigos publicados no site kabbalah.com.
Na hilulá de um tzadik, acender uma vela abre um canal. A chama representa a alma, luz que sobe e não se divide ao acender outras. Ao acendê-la em honra ao Ari, Rav Isaac Luria, convidamos a sua presença e o seu mérito para dentro da nossa casa e da nossa vida. Acenda a vela, feche os olhos e diga:
| # | Insight | Essência para a Hilulá |
|---|---|---|
| 1 | Quando um tzadik parte, toda a Luz que revelou fica disponível no seu yortzait (aniversário de falecimento). | A Hilulá do Ari é um "portal" anual para acessar a sua assistência espiritual. |
| 2 | Uma vida curta em anos, imensa em Luz. O Ari partiu aos 38 anos, mas o seu legado atravessa séculos. | Rav Berg ensina: "Ele não morreu, ele retorna a nós nesta noite." |
| 3 | Tzimtzum, Shevirat HaKelim, Tikkun os três pilares da Kabbalah Luriânica. | Revelam o processo cósmico: contração da Luz, quebra dos recipientes e reparo pelo ser humano. |
| 4 | A noite inteira em estudo remove um "karet", uma das forças que encurtam a vida (Portões do Espírito Santo). | É por isso que se atravessa a noite acordado, estudando, na Hilulá. |
| 5 | Etz Chaim (Árvore da Vida), compilado por Chaim Vital, condensa todos os ensinamentos do Ari. | Estudar um trecho hoje conecta você à sua mente. |
| 6 | Profundidade acima de pressa o Ari meditava meses em um único verso do Zohar antes de agir. | Inspira profundidade e intenção nas nossas práticas. |
| 7 | Safed e o Kinneret o Ari mergulhava diariamente; a água como símbolo de purificação. | Sugere um mikveh ou um banho consciente na Hilulá. |
| 8 | Ari = "O Leão" a coragem de rasgar véus místicos e revelar sistemas inteiros de Luz. | Um convite a assumir a sua própria liderança espiritual. |
Rav Yitzchak Luria nasceu em Jerusalém, em 1534, e foi criado no Egito, na casa de um tio abastado. Ainda jovem, diz a tradição, retirou-se por cerca de sete anos a uma ilha do rio Nilo, onde mergulhou dia e noite no Zohar até que o profeta Eliyahu passou a lhe revelar os segredos mais profundos da Torah.
Em 1570 chegou a Safed, a cidade dos místicos, na Galileia. Estudou brevemente com Rav Moshe Cordovero, o Ramak, e logo assumiu a liderança de um pequeno círculo de discípulos. Foram cerca de dois anos de ensino, e quase tudo o que sabemos da sua sabedoria chegou até nós porque Rav Chaim Vital, o seu principal aluno, pôs no papel aquilo que o mestre revelava de viva voz.
O Ari partiu no 5 de Av de 1572, aos 38 anos, durante uma epidemia. Uma vida curta em anos, e imensa em Luz. O seu nome, Ari, é o acróstico de Elohi Rabi Yitzchak, o Divino Rabi Isaac (o alef também é lido como Ashkenazi), e significa "o Leão".
Redefiniu a Kabbalah desde Rabi Shimon bar Yochai. Em dois anos de ensino, deixou o mapa cósmico que o Kabbalah Centre ainda estuda hoje.
A Kabbalah ensina que, no aniversário da sua partida, toda a Luz que o Ari revelou fica disponível para quem o invoca conscientemente. Ele se tornou o maior mestre da Kabbalah luriânica porque escolhia profundidade em vez de pressa, meses meditando um único verso do Zohar antes de ensinar uma só palavra, e assim revelou sistemas inteiros de Luz onde antes só havia segredo fechado. A sua Hilulá é uma janela para essa mesma coragem: olhar direto para o que está quebrado e ali encontrar a fórmula do conserto. Estudar um trecho do seu Etz Chaim ou do Zohar nesta noite, e fazer um ato de partilha antes do pôr do sol, liga a nossa alma à dele e nos dá acesso à clareza digna de "O Leão".
Antes da criação havia apenas Luz infinita, sem espaço para nada além dela. Para dar lugar a um mundo, o Criador fez o Tzimtzum: contraiu a Sua Luz, abrindo um "vazio" onde a existência pudesse começar. É o primeiro gesto de amor, o recuo que abre espaço para o outro.
Depois, a Luz voltou a fluir dentro de recipientes (vasos). Eram fortes, mas não o bastante para tanta Luz de uma vez, e se quebraram: a Shevirat HaKelim, a quebra dos vasos. Os cacos caíram, e com eles faíscas de Luz ficaram presas em toda a criação, dentro de cada pessoa, cada situação, cada dificuldade.
Recolher essas faíscas e devolvê-las à sua origem é o trabalho da humanidade: o Tikkun, o reparo. Cada ato de partilha, cada restrição do ego, cada momento de certeza liberta uma faísca. É por isso que a nossa vida importa cosmicamente. O conserto do mundo passa pelas nossas mãos.
O ciclo em uma frase: a Luz se contrai para nos dar espaço, os vasos se quebram para espalhar faíscas, e nós reparamos o mundo ao recolhê-las.
O Ari ensina, nos Portões do Espírito Santo, que quem atravessa a noite inteira acordado e estudando Torah remove de si um karet, uma das forças que encurtam a vida. Por isso a Hilulá se vive de madrugada, em estudo, e não dormindo.
→ Hoje: escolha uma faixa da noite para ficar acordado estudando sobre o Ari. Mesmo uma hora a mais conta.
O Ari podia meditar meses sobre um único verso do Zohar antes de agir. A pressa dispersa a Luz; a profundidade a concentra. Não se trata de ler muito, e sim de deixar um trecho pequeno trabalhar dentro de você.
→ Hoje: pegue um único parágrafo do Etz Chaim ou do Zohar e fique com ele. Leia, releia, respire, deixe descer.
O Ari mergulhava diariamente nas águas do Kinneret e no mikveh. A água limpa o recipiente para que ele receba Luz nova. Antes de pedir revelação, esvaziamos o vaso.
→ Hoje: faça um banho consciente ou um mikveh. Sob a água, solte o que carregou até aqui e peça um recipiente limpo.
O Ari viveu 38 anos. Para a nossa forma de contar, uma vida curta. Rav Berg, numa aula de 1994 sobre esta mesma Hilulá, vira a pergunta do avesso: o que é curto e o que é longo? "Há quem viva um dia como se fossem setenta anos, e quem viva setenta anos como se fossem um só dia." O que mede uma vida não é o tempo, e sim a Luz que ela deixa atrás de si.
E a Luz do Ari não parou de crescer. Os seus alunos, os alunos dos seus alunos, até esta noite, seguem repetindo e vivendo o que ele revelou. Por isso Rav Berg conclui com a frase que dá o tom de toda Hilulá: "O Ari não morreu. Como ele disse ao seu aluno, ele sempre retorna, e retorna a nós nesta noite. Ele ainda está aqui por nós."
É essa a consciência da Hilulá. Não visitamos uma lembrança. Convidamos uma presença viva. Nesta janela de 24 horas, o Ari está disponível para nos guiar, e basta chamá-lo.
Abrir o portal da Hilulá.
e dizer: "Convido Rav Isaac Luria para me guiar."
Conectar-se à mente do Ari.
leia 1 parágrafo do Etz Chaim ou do Zohar sobre o Tzimtzum; medite 10 min na contração da Luz.
Ativar o aspecto de reparo (tikkun).
recite o Salmo 130 e peça força para reparar os "vasos quebrados" pessoais.
Selar a conexão pela ação.
uma doação a um estudo ou causa que revele Luz.
Incorporar coragem e liderança.
respire fundo 7 vezes; no auge da inspiração, visualize uma coroa de luz sobre a cabeça.
Fixar a Luz.
registre a revelação mais forte do dia e comprometa-se com um passo de tikkun.
"Esvazio-me de ego, recebo a Luz do Ari e reparo o meu mundo."
Que estas 24 horas tragam a coragem leonina e a visão cósmica de Rav Isaac Luria à sua jornada. Hilulá Sameach.
Explore uma biblioteca de textos e vídeos legendados sobre o Ari, em português, com artigos aprofundados sobre a sua vida e o seu legado.
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