Conecte-se antes de falar, retorne a quem você já é no Shabat Shuva, e preencha a vida até que ela possa sorrir.
Uma semana · Shabat Shuva · entre Rosh Hashaná e Yom Kipur
✦ Todos os insights foram tirados de aulas de Rav Berg e do Kabbalah Centre publicadas no site kabbalah.com.
A porção Ha'azinu ("Escute") é, quase inteira, uma canção, o último cântico de Moshe para o povo. Antes de dizer uma palavra sequer, Moshe chama os céus e a terra para testemunhar: "Escutai, ó céus, e falarei; e ouça a terra as palavras da minha boca" (Devarim 32:1). Rav Berg ensinou que uma canção tem um poder que a fala comum não tem: ela pode existir sem palavras, e por isso é menos limitada. É por isso que esta porção nos conecta a um nível de clareza que os kabalistas chamam de Inspiração Divina.
Este Shabat tem um nome próprio, Shabat Shuva, entre Rosh Hashaná e Yom Kipur. A palavra teshuvá vem da raiz shuv, "retornar". Não se trata de virar outra pessoa através do castigo. Trata-se de voltar a quem já somos por baixo do ruído, a alma que sempre esteve inteira. A porção dá até a imagem de estabilidade para onde voltar: "A Rocha! Perfeita é a Sua obra" (Devarim 32:4).
Perto do fim do seu cântico, Moshe dá uma instrução direta: "Porque não é coisa vã para vocês, é a própria vida de vocês" (Devarim 32:47). Rashi pergunta por que a Torah precisaria dizer que não é vazia, e responde com um ensinamento clássico: se parece vazia, o vazio vem de nós, do nosso próprio esforço insuficiente, e não do ensinamento.
O Zohar coloca uma de suas cenas mais tocantes exatamente nesta porção, a Idra Zuta, a Pequena Assembleia, que descreve os últimos momentos de Rav Shimon bar Yochai cercado pelos discípulos. No instante em que sua alma partiu, o texto diz algo extraordinário: seu rosto estava sorrindo. Uma vida tão conectada à Luz que até o fim foi recebido com um sorriso.
Rav Berg ensinou que uma canção tem um poder que a fala não tem, porque pode existir sem palavras e por isso é menos limitada.
Teshuvá vem de shuv, retornar. O trabalho não é castigo, é voltar à alma que sempre esteve inteira.
Rashi responde à pergunta antes que ela seja feita: se o ensinamento parece vazio, o vazio é do nosso esforço, não do texto.
Na Idra Zuta, o rosto de Rav Shimon sorria no instante em que sua alma partiu. Uma vida cheia não é uma vida sem erro, é uma vida preenchida.
Ha'azinu é quase inteira uma canção, o último cântico de Moshe, e chega no Shabat que fica entre Rosh Hashaná e Yom Kipur. O nome desse Shabat já diz o trabalho da semana: Shuva, retorno. Não é virar outra pessoa, é voltar a quem já somos por baixo do ruído. E se em algum momento o caminho parecer vazio, Rashi já respondeu de onde vem esse vazio. A porção fecha com o rosto sorridente de Rav Shimon, que é a imagem do que se pode fazer com uma vida.
Este é o Shabat Shuva, entre Rosh Hashaná e Yom Kipur. Aprofunde a sua semana revisitando, com honestidade e sem culpa, o que "retornar a quem você já é" significa para você este ano.
Praticar a pausa antes da palavra.
Antes de qualquer conversa importante hoje, respire e conecte-se por 10 segundos antes de falar. Note a diferença no tom das suas palavras.
Sentir além da lógica.
Ouça uma música, sem letra ou em um idioma que você não entende, com atenção total. Note o que ela desperta em você, além das palavras.
Praticar teshuvá como retorno.
Pense em algo que você quer corrigir. Em vez de se criticar, pergunte: "Quem eu já sou, por baixo disso?" Volte a essa versão de você.
Lembrar o que não muda.
Escreva uma verdade sobre você que nunca mudou, mesmo nos momentos mais difíceis. Releia essa frase sempre que precisar de estabilidade hoje.
Assumir responsabilidade sem culpa.
Escolha algo que parecia "sem sentido" ultimamente. Pergunte com curiosidade: que esforço a mais isso pede de mim? Dê um passo nessa direção.
Encher o dia de conexão real.
Faça uma coisa hoje só pela conexão que ela traz, sem outro motivo. Entre no Shabat tendo escolhido, conscientemente, preencher e não só cumprir.
Sentir uma vida plena e conectada.
Durante o Shabat, sente-se em silêncio e imagine sua própria vida, cheia, não vazia. Deixe um sorriso genuíno aparecer, como o rosto descrito na Idra Zuta.
"Eu me conecto antes de falar. Eu retorno a quem eu já sou. Eu preencho minha vida até que ela possa sorrir."
Você encontra uma biblioteca completa de conteúdo sobre a porção de Ha'azinu aqui, artigos, vídeos e meditações.
onehouse.kabbalah.com/pt-br/collections/haazinuSe alguém que você ama acha que precisa virar outra pessoa para merecer um novo começo, esta leitura diz o contrário.
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