רָצוֹן
Ratzon Shabat Devarim · Mês de Av

O Desejo sem Limites

Michael Berg sobre
a porção de Devarim

SHABAT DEVARIM · o mês cujo nome é desejo

Esta página reúne os destaques da palestra de Michael Berg para a porção de Devarim, no mês de Av. É apenas uma síntese de três ensinamentos sobre o ratzon, o desejo, e de uma revelação que muda tudo: o pensamento e o desejo não são ferramentas para manifestar. São a própria realidade.

O movimento da porção · a raiz do mês

Av e Ratzon

אָב
Av
o mês · destruição e redenção
רָצוֹן
Ratzon
o desejo · a raiz de tudo
o nome do mês esconde uma palavra · Av vem de Ivah, desejo

Na fonte do Tanakh, ensina Michael Berg, a palavra Av, o nome do mês, deriva de Ivah, que quer dizer desejo. O mês carrega uma dualidade de destruição e redenção, e ambas nascem no mesmo lugar. Toda destruição é um problema de desejo, um desejo corrompido. E toda redenção, individual e coletiva, é o efeito da correção do desejo.

Por isso o Templo, o Mikdash, representa o desejo, e Kedusha, santidade, significa um desejo elevado. Todo o trabalho deste Shabat é enxergar, compreender e corrigir o ratzon.

Oito insights · o desejo
01

Av, o mês cujo nome é desejo

Quando pensamos neste Shabat, começamos pelo nome do mês. Av tem muitas traduções, mas na fonte original ela deriva de Ivah, desejo. Isso já nos entrega a chave de tudo o que vem a seguir.

O mês tem uma dualidade de destruição e redenção. E se o seu nome é desejo, então toda a destruição que ocorre é um problema de desejo corrompido, e toda a redenção que virá será o efeito da correção do desejo. Até quando os kabalistas falam do Templo, falam do lugar onde existia o desejo mais puro e supremo.

02

Onde há falta, há um problema de desejo

Este é um Shabat coletivo para o mundo, mas ele desce também ao nível individual. Se você quer saber por que existe alguma carência na sua vida, por que surge algum problema, Michael Berg é direto: há apenas uma razão. Há algo de errado com o desejo.

Na medida em que estamos no exílio, na medida em que existe alguma falta, é porque o nosso desejo não está como deveria estar. Este é o Shabat para enxergar o que é o verdadeiro desejo, e para corrigi-lo.

"Se há uma carência na sua vida, a raiz é sempre a mesma: algo no desejo precisa ser corrigido." Michael Berg, síntese da palestra
03

Não "o meu melhor", mas 100%

O primeiro ensinamento vem do Sfat Emet. Em seu último ensinamento antes de deixar este mundo, Moshe pede aos israelitas um compromisso: nenhum pensamento, palavra ou ação negativa, nem um segundo de desconexão da Luz do Criador. Uma tarefa quase impossível. Por que pedir o impossível?

Porque só a partir de um desejo a 100% se manifesta algo real neste Mundo de Asiyah, o Mundo da Ação. Não se espera que o desejo perfeito se cumpra por inteiro no mundo físico. Mas sem o desejo perfeito, não se manifesta quase nada. Quem acorda com o compromisso morno da maioria, "eu gostaria de um bom dia, gostaria de me sair melhor que ontem", torna quase impossível um único momento poderoso.

04

Todas as manhãs, desperte o desejo

Cabe a nós preparar o nosso dia. E a meditação correta, ensinam os kabalistas, não é "vou tentar" nem "vou dar o meu melhor". É esta: hoje estarei totalmente conectado à Luz do Criador, sem um segundo de desconexão.

Não pergunte "como?". A questão não é a conta que fecha, é o desejo que se acende. Se fizéssemos uma enquete, quase ninguém acordou hoje com esse ratzon. E é exatamente esse despertar, toda manhã, que Michael Berg nos pede para reaprender.

Agora mesmo Diga a si mesmo: o meu desejo para hoje é estar conectado à Luz do Criador, sem nem um segundo de desconexão.
05

O compromisso é a garantia

O segundo ensinamento do Sfat Emet é ainda mais belo. Mesmo que os israelitas não tivessem força para cumprir aquela orientação naquele momento, o simples fato de aceitar com verdadeiro desejo e compromisso já garante que, no fim, eles conseguiriam.

Pense em um pai ou uma mãe. Dizer "vou dar o meu melhor" está errado. O compromisso precisa ser: serei o melhor pai que já existiu, desperto o desejo de entregar aos meus filhos a conexão plena com a Luz do Criador. Mesmo que eu falhe hoje, amanhã e no próximo ano, o poder desse desejo é uma garantia de que, no fim das contas, eu chegarei lá.

"Quando você aceita com verdadeiro desejo e compromisso, está garantido que, no fim, você vai realizá-lo." Michael Berg, sobre o Sfat Emet
06

O pensamento e o desejo são a realidade

O terceiro ensinamento, de Rav Ashlag, é o que mais entusiasma Michael Berg, uma revelação nova e mais profunda. No Mundo da Ação, tudo é limitado. As coisas quase nunca se manifestam exatamente como pensamos, porque a ação encontra todo tipo de bloqueio. Mas no pensamento e no desejo não há limite algum. Nada te impede.

A maioria de nós comete um grande erro: tratar o desejo como um simples primeiro passo para manifestar algo. Rav Ashlag ensina o contrário. O pensamento e o desejo são a própria eternidade, e tudo o que realmente existe. Viemos a este mundo para ser um desejo e um pensamento ilimitados. Manifestar também, mas isso é secundário.

07

Misericórdia na ação, julgamento no desejo

Os kabalistas ensinam que o primeiro pensamento do Criador foi criar o mundo b'din, com a força do julgamento. Vendo que um mundo assim não sobreviveria, porque falhamos o tempo todo, Ele combinou julgamento e misericórdia, rachamim. Há misericórdia infinita sobre o que conseguimos ou não manifestar no mundo físico.

Mas há um lugar onde não existe margem para exceção: o pensamento e o desejo permanecem no reino do din. Com que desejo você acorda de manhã, com que pensamento? Aí não há concessão. Por isso, ensina Michael Berg, a destruição não veio porque as pessoas deixaram de manifestar as coisas certas. Veio porque deixaram de desejar, sem limites, a Luz da própria alma, todos os dias.

08

Neste instante, você é o seu desejo

Aqui está o coração de tudo. No momento em que você diz, com verdade, à sua alma e ao Criador: o meu desejo é ser a alma mais conectada e mais pura que já existiu, sem nem um segundo de desconexão, naquele instante você já está lá. É isso que você é. É a sua essência, a sua verdade. O que você manifesta depois é consequência, e é secundário.

Rav Ashlag define o que é o ratzon: o desejo e o amor de se conectar com a Luz que existe dentro de mim, e de sustentá-la. Viver num mundo de desejo e pensamento sem limites é o motivo pelo qual viemos a este mundo. O resto, veremos o que se manifesta.

"O que é o ratzon? O desejo e o amor de me conectar com a Luz infinita que existe dentro de mim, e de sustentá-la." Rav Ashlag, citado por Michael Berg
A prática desta semana · o desejo sem limites

O despertar de cada manhã

1
Ao acordar, antes de qualquer coisa, lembre que cabe a você preparar o seu dia, entre você e o Criador. Esse é o momento mais importante do dia.
2
Diga com verdade: hoje estarei 100% conectado à Luz do Criador, sem um único segundo de desconexão. Não peça "como". A questão não é a conta, é o desejo.
3
Solte o "meu melhor". O compromisso morno não manifesta nada. Vá aos 100%, mesmo sabendo que hoje você pode falhar. O poder do desejo é a garantia.
4
Deseje eliminar a negatividade de dentro de você e do mundo, hoje, em pensamentos, palavras e ações. Esse é o compromisso que Moshe pediu aos israelitas.
רָצוֹן Ratzon: o desejo e o amor de me conectar com a Luz que há dentro de mim, e de sustentá-la.
5
Repita ao longo do dia. Logo pela manhã e dez vezes ao longo do dia. Não é um exercício mental para manifestar mais. Naquele momento, é onde você realmente está.
6
Deixe o resto ser secundário. Veja o que se manifesta no mundo, sem se prender a isso. A realidade é o pensamento e o desejo. É por isso que viemos a este mundo.

Com que desejo você acordou hoje? E se, amanhã de manhã, o seu desejo fosse sem limites?

Fonte: palestra de Michael Berg para o Shabat Devarim, "Living Limitless Thought & Desire", The Kabbalah Centre. Síntese e adaptação por Thiago Moshe · Insights Kabalísticos.

Os dois primeiros ensinamentos sobre o desejo são atribuídos por Michael Berg ao Sfat Emet; o terceiro, a Rav Ashlag. Referências textuais mencionadas na palestra: a etimologia de Av / Ivah, a passagem do Midrash sobre a criação do mundo b'din, e a passagem do Talmude sobre a verdade das palavras ditas sob o pálio nupcial. As paráfrases em destaque são sínteses da fala, não citações literais.

O vídeo embutido nesta página traz o terceiro ensinamento na íntegra, com legendas em português, gerado a partir da transcrição verbatim da palestra.

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Com amor e Luz,
Thiago Moshe