A morte como ilusão, a energia que nunca morre, e vir com todos os nossos dias.
Uma semana · 26 de Cheshvan
✦ Todos os insights foram tirados de artigos de Karen Berg, Rav Berg e Miriam Ashkenazi publicados no site do Kabbalah Centre.
Há algo surpreendente no nome desta porção. Chayei Sara abre com a morte de Sarah (Bereshit 23:1–2), e ainda assim a Torah a chama de "a vida de Sarah". Os kabalistas leem isso como intencional: a verdadeira vida de uma grande alma não se mede só pelos anos que ela respirou, mas pelo que continua depois. No texto original, a palavra "chorou", quando Abraão chora por Sarah, é escrita com uma letra menor que as outras: o kaf. Miriam Ashkenazi ensina: Sarah e Abraão eram almas gêmeas, do tipo de amor que qualquer casal sonharia ter. Por que então Abraão choraria só um pouco? Rav Berg ensinou: "aquilo que é infinito e eterno é real, e aquilo que é finito, incluindo este mundo e tudo o que faz parte dele, é ilusão." A letra pequena é uma pista: a dor de Abraão era real, e, ao mesmo tempo, ele compreendia que a morte não é a porta final.
O Zohar ensina algo notável sobre esta mesma porção: "toda vez que os justos partem deste mundo, também se anulam deste mundo todos os decretos severos, e a morte dos justos traz perdão para os pecados da geração" (Zohar, Acharei Mot 1:9). A partida de uma grande alma não é só perda, ela também libera algo para todos os que ficam.
Depois de enterrar Sarah, Abraão envia seu servo para encontrar uma esposa para Isaque. O servo encontra Rebeca em um poço e a traz para casa. A Torah conta o que acontece: "E Isaque a trouxe à tenda de sua mãe, Sarah, e tomou Rebeca, e ela se tornou sua esposa, e ele a amou; e Isaque foi consolado após a morte de sua mãe" (Bereshit 24:67). Segundo a tradição, três milagres cercavam a tenda de Sarah enquanto ela vivia: suas velas de Shabat permaneciam acesas de uma semana para outra, uma nuvem da presença do Criador pairava sobre a tenda, e havia bênção em sua massa de pão. Quando Sarah morreu, esses sinais cessaram. Quando Rebeca entrou nessa mesma tenda, eles voltaram. Karen Berg escreve: "nós nunca realmente dizemos adeus a nada, nós meramente passamos por uma nova porta." E ainda: "a energia nunca deixa de existir, mas encontra um novo recipiente onde habitar." Isaque não foi consolado porque esqueceu sua mãe, foi consolado porque, de um jeito muito real, a Luz dela havia retornado, agora carregada por Rebeca.
A porção também descreve Abraão como alguém que "veio com seus dias", nenhum dia de sua vida foi desperdiçado. Karen Berg constrói todo o seu ensinamento sobre esta frase: Abraão enfrentou dez grandes provações e nunca caiu na "consciência de vítima". Ele nunca perguntou "por que isso está acontecendo comigo", ele simplesmente enfrentou cada manhã pronto para transformar o que ela trouxesse. Ela escreve: "esta porção nos lembra... de encontrar a janela que está aberta quando todas as portas estão fechadas." E: "há sempre um caminho para a superação." Esse é o ensinamento final de Chayei Sara: a morte não é a porta final, a energia se transforma em um novo recipiente, e o trabalho prático, todos os dias, é enfrentar a escuridão já certos de que a Luz está ali.
Nunca Ter que Dizer Adeus por Karen Berg
Encontrando a Luz na Escuridão por Karen Berg
Illusion Versus Reality por Miriam Ashkenazi (artigo disponível apenas em inglês)
Esta semana pergunte: o que em mim parece estar "terminando", mas talvez seja só uma energia mudando de forma? Onde eu ainda posso praticar "vir com meus dias", sem desperdiçar nenhum?
Distinguir ilusão de realidade.
Identifique algo em sua vida que parece "terminado" ou "perdido". Pergunte: que parte disso é ilusão da forma física, e que parte é energia real que continua?
Não exagerar a dor do que não é essencial.
Hoje, antes de reagir fortemente a algo pequeno, pare e pergunte: isso merece um "choro grande" ou um "choro pequeno" como o de Abraão?
Ver a continuidade além da forma.
Pense em alguém ou algo que você "perdeu". Escreva uma frase sobre como a energia dessa conexão ainda está presente, em uma nova forma.
Praticar a confiança na transição.
Diante de uma mudança que está vivendo agora, repita: "eu não estou perdendo algo, estou passando por uma nova porta."
Sair do "por que isso comigo".
Note um momento hoje em que você quer perguntar "por que isso está acontecendo comigo". Troque a pergunta por: "como posso transformar isso?"
Não desperdiçar nenhum momento.
Antes do Shabat, revise a semana: houve algum dia "desperdiçado"? Entre no Shabat com a intenção de trazer cada dia futuro por inteiro, como Abraão.
Confiar que há sempre um caminho.
Durante o Shabat, sente-se em silêncio diante de algo que parece uma "porta fechada" em sua vida. Peça para enxergar a janela que já está aberta.
"Eu não digo adeus, eu passo por uma nova porta. Eu venho com todos os meus dias. Eu confio que há sempre uma janela aberta."
Você encontra uma biblioteca completa de conteúdo sobre a porção de Chayei Sara aqui, artigos, vídeos e meditações.
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